Bênçãos ocultas – Ramana Maharshi

Extraído e traduzido da página do Facebook dedicada a Ramana Maharshi

Pela maior parte do dia Sri Bhagavan Ramana Maharshi costumava sentar-se no seu sofá, que ficava ao lado da janela. Esquilos ocasionalmente entravam pela janela e corriam em seu entorno, perto dele. Sri Bhagavan frequentemente respondia a eles alimentando-os com castanhas ou comidas pelas suas próprias mãos.

Um dia Sri Bhagavan estava alimentando os esquilos quando um devoto muçulmano, que o estivera observando, entregou-lhe uma nota em que estava escrito: “Os esquilos são muito sortudos porque estão recebendo comida de suas próprias mãos. Sua graça é tanta para eles. Sentimos inveja dos esquilos e que também deveríamos ter nascido esquilos. Isto teria sido muito bom para nós.”

Sri Bhagavan não pôde conter a risada ao ler esta nota.

Ele disse ao homem: “Como você sabe que a graça não está com você também?” E então, para ilustrar este ponto, começou a contar uma longa história.

“Um santo tinha o siddhi (poder sobrenatural) da profecia. Ou seja, o que quer que ele dissesse tornava-se verdade. A qualquer cidade que fosse, as pessoas locais vinham até ele para ter a sua visão e obter suas bênçãos. O santo, que também era cheio de compaixão, removia a infelicidade das pessoas abençoando-as. Porque suas palavras sempre se tornavam verdade, as bênçãos sempre surtiam efeito. Por isso se tornou tão popular.

Durante suas peregrinações ele chegou a uma cidade na qual, como de costume, muitas pessoas se dirigiram a ele para obter suas bênçãos. Entre os buscadores de bênçãos estava um ladrão. Ele foi ter a visão do santo à noite e pediu suas bênçãos. Quando o santo o abençoou, o ladrão ficou muito feliz. Ele tinha certeza de que, por causa destas bênçãos, quando ele saísse para roubar à noite, ele teria sucesso. Mas o resultado foi outro. Sempre que tentava arrombar uma casa, uma pessoa ou outra daquela casa acordava e ele tinha de fugir correndo. Ele tentou em três ou quatro lugares e não teve sucesso em nenhum. Por causa de sua derrota, o ladrão ficou furioso com o santo.

Cedo na manhã seguinte ele voltou ao santo e disse com raiva: ‘Você é um impostor! Você está dando falsas bênçãos às pessoas.’ O santo muito pacificamente perguntou a razão de sua ira. Em resposta, o ladrão narrou em detalhes o quão infeliz tinha sido em suas tentativas de roubar na noite anterior.

‘Tendo ouvido esta história’- disse o santo – ‘neste caso, as bênçãos surtiram efeito.’
‘Como?’ perguntou o ladrão, estupefato.
‘Irmão, primeiro me diga: ser um ladrão é um trabalho bom ou mau?’
‘É mau’, admitiu o ladrão, mas então se defendeu dizendo ‘mas o que faço com o estômago que preciso alimentar?’

O santo continuou com sua explicação: ‘Não ter sucesso num trabalho mau significa que as bênçãos realmente deram frutos. Há tantas outras maneiras de alimentar o estômago. Você deveria aceitar qualquer uma delas. Para chegar a esta conclusão foi necessário que você falhasse no seu trabalho de ladrão.’

O ladrão compreendeu e informou ao santo que no futuro ele iria ocupar-se de um outro trabalho, honesto. Ele prostrou-se diante do santo e saiu.”

Tendo narrado a história acima, Sri Bhagavan perguntou ao devoto muçulmano: “Você quer dizer que se tudo for conforme os seus desejos, só então é possível dizer que a graça de um santo funcionou?”

“Não entendo”, respondeu o devoto.

Sri Bhagavan explicou em mais detalhe: “As bênçãos de um santo operam um trabalho purificador na vida. Estas bênçãos não podem aumentar a impureza. Aquele cujo entendimento é limitado pedirá bênçãos para que ele possa satisfazer certos desejos, mas se os desejos são tais que a sua satisfação fará o buscador mais impuro ao invés de mais puro, as bênçãos do santo não o permitirão satisfazer os desejos. Desta forma, o buscador é salvo de impurezas maiores. Neste caso, não são as bênçãos do santo um presente de compaixão?”

O devoto muçulmano finalmente compreendeu e satisfez-se com estas palavras.

Ramana Maharshi esquilo

Um comentário em “Bênçãos ocultas – Ramana Maharshi”

  1. As vezes, as bênçãos vem desse jeito, não sei se estou recebendo semelhante benção agora, neste momento em que tenho que me agarrar as coisas positivas da vida para não afundar numa estúpida depressão. Não se trata de há males que vem para o bem, mas de examinar minunciosamente nossos pensamentos e atos para seguirmos confiantes em nós e em Deus na remissão de nossos pecados e resignação das provações que temos que suportar neste mundo.

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