Enfoques conscienciais – parte 1

O post a seguir foi escrito com base no conteúdo do curso Om Sattva, ministrado no IPPB.

Você já pensou que uma mesma coisa pode ser vista de diferentes maneiras? Imagine uma situação ou um conceito qualquer. Uma criança vai ter um ponto de vista sobre aquilo, um adulto outro e um idoso outro.

Podemos fazer um exercício em cima de alguns pontos da temática espiritual. Dada uma ideia, que tipo de visão teria o estudante espiritual sobre aquilo? E um amparador? E um assediador? Ao trocar o enfoque você se coloca no lugar do outro, e imagina o ângulo do outro. Com isto, o seu raciocínio é ampliado.

Abaixo estão alguns temas variados, e possíveis enfoques.

Música

Música

Um físicoO que um físico diria se perguntado sobre a música? “Música são vibrações que se propagam pelo ar”. Do ponto de vista da Física, música são ondas sonoras. É uma visão técnica, sem o lado lúdico ou emocional. O físico diria que música é uma forma de energia, que é o som.
Um psicólogoQuando um psicólogo pensa em música, ele estaria prestando mais atenção na música ou nas reações psicológicas causadas pela música? Talvez o maior interesse de um psicólogo seriam as repercussões psíquicas que a música está causando na pessoa.
Um músico“A música é minha companheira inseparável. Sem música eu não vivo!”
Um estudante espiritualista (*)“A boa música é uma viagem espiritual. Porque ela me leva a outros níveis de consciência”.

(*) aqui estamos ilustrando um estudante espiritualista com perfil sadio, aquele que possui qualidades e defeitos, mas que busca conhecer os diversos temas sem fanatismo, com equilíbrio, pegando o melhor de cada fonte, e tentando acertar em suas ações, na medida do possível.

São quatro enfoques em cima do mesmo tema, Música, e todos estão corretos. Cada enfoque vai resultar em algo diferente. Um músico pode saber tudo sobre a música que compôs, sua harmonia, melodia e seus acordes, porém, pode não viajar espiritualmente ou consciencialmente ao ouvi-la, da mesma forma que um estudante espiritual faria.

Um livro sagrado: a Bíblia, o Corão ou o Bhagavad-Gita

Livro sagrado

Um fanáticoPara um fanático, o livro sagrado é apenas arma de doutrinação. Ele usa o livro para convencer ou converter os outros. O livro não tem um sentido maior, de amor.
Um cético ou materialistaNão considera nada. Diria: “esse livro está cheio de histórias da carochinha! É tudo lenda”.
Um jovem de 15 anos dos tempos de hoje (IPod e internet)Acha um saco. “Que coisa chata de ler esse livro. Coisa de velho!”
Um estudante espiritualista de cabeça abertaAnalisa com carinho o que está escrito, ponderando e tentando extrair o melhor. “São ótimos livros, se bem interpretados.”

Sol

Sol

Um astrônomoPara um astrônomo, “o sol é apenas um astro, uma estrela de quinta grandeza. Terá o seu fim em bilhões de anos”.
Um mestre taoista antigoO taoista iria observar a atividade e o dinamismo de vida na bola de fogo. “É uma manifestação do Chi em forma Yang” (o princípio ativo, diurno, luminoso, quente).
Um hinduProvavelmente diria que “sol é fonte de vida”. O hindu faria associação com a palavra Surya, a divindade solar. Ele poderia lembrar do mantra Gayatri – a evocação da luz primordial que gera sóis como o nosso sol.
Um estudante espiritualistaSol é a síntese das visões anteriores: uma estrela de quinta grandeza, manifestação Yang, a divindade solar e um mantra bacana. Há a visão de conjunto, nenhum ponto de vista é excluído.

Um dos mantras usados para evocação da força solar utiliza o nome em sânscrito Surya, a divindade solar. O mantra seria Om Suryaya Namah, que é excelente para ativação das energias, para o chakra umbilical e as mãos. Por ser um mantra de ativação energética, não é recomendado para quem deseja relaxar ou dormir.

Lua

Lua

Um astrônomoPara um astrônomo, “a lua é apenas um satélite da Terra. Um corpo celeste agregado à órbita do nosso planeta.”
Um mestre taoista antigo“A lua é manifestação do Chi em forma Yin” (o princípio passivo, noturno, escuro, frio).
Um hinduLua em sânscrito seria soma ou chandra. Ele poderia dizer: “a lua é a reitora das emoções e do êxtase místico”.
Um estudante espiritualistaA lua é uma síntese das visões anteriores.

Um mantra que pode ser usado para relaxamento ou para dormir é um que está ligado à lua: Om ChandraYe Namaha. É um mantra para refrescar, regenerar, amortecer e relaxar. É recomendado para a hora de deitar, e pode ser concentrado na testa ou no peito.

Mulher

Casal que se ama

Um homemAo olhar uma mulher, o homem pensaria em algum tipo de relacionamento. Provavelmente com alguma visão sexual ou instintiva.
Um espírito desencarnadoQuando um espírito olha uma mulher, ele pensa que a mulher tem algo que um homem não tem: um útero. Para um espírito adentrar no plano físico ele precisa passar por um útero de uma mulher, ficar lá por 9 meses, para se condensar energeticamente. Então, para o espírito desencarnado, o útero é uma câmara de materialização. Para ele a mulher é uma porta para a reencarnação. Caso seja um espírito que não deseja reencarnar, a mulher pode significar uma prisão.
Um taoístaA mulher é uma manifestação Yin.
Um hinduA mulher é a mãe divina. Um hindu diria: “você precisa olhar a sua parceira como se fosse a mãe divina manifestada.”
Um estudante espiritualSe houver profundidade na relação, além de pensar na mulher como um relacionamento, e que ela é uma porta para a reencarnação de um espírito, ele vai além: olha a mulher como uma parceira de evolução, uma dupla evolutiva. É mais do que o casamento. Ele pensaria: “estou bem sozinho, mas fico melhor ainda com você”. Em uma dupla evolutiva um apoia o outro: “somos parceiros de evolução e vamos atravessar juntos essa reencarnação, esse mar de ilusões”. Evolutivamente é bom quando ambos estão juntos, pois um reforça a evolução do outro.

Poderíamos obviamente inverter o que está sendo colocado para a mulher, e pensar em como um homem seria visto, o que daria resultado semelhante. A mulher pensaria que o homem é alguém para ter um relacionamento afetivo/sexual. Na visão chinesa o homem é energia Yang, e para o hinduísmo, o homem é o divino manifestado. O homem pode ser visto também como uma dupla evolutiva, um parceiro de evolução, em um casal onde há lucidez e afinidade evolutiva.

Continua na parte 2.

4 comentários em “Enfoques conscienciais – parte 1”

  1. Realmente, temos pontos de vista diferentes, porque nossas influências e entornos são diferentes; além de uma cabeça que pensa em todas essas diferenças.
    Quanto ao tema SOL, vejo-o nascer quase todas as manhãs, da janela do meu quarto, antes de minhas orações matinais e fico extasiada com sua beleza, com seus reflexos no mar e penso que isso é uma esperança para o dia que está nascendo…
    E a LUA, não menos nobre que o astro-rei. A lua cheia é belíssima quando sua luz incide sob uma das peças da casa. Esta e o sol são a beleza de Deus em nossas vidas.
    Já a MULHER, ela é também um ser fantástico da prodigalidade da natureza. No lar, ela é o sol e a lua, força e sombra. Ela é um presente de Deus para a família. É amor, aconchego, carinho, serviço… Se ela vai bem tudo segue, caso contrário é um caos…

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