A iluminação do Buda

O despertar interior do Buda

Siddharta Gautama foi um príncipe que viveu na região da Índia cerca de 500 antes de Cristo, e que se tornou historicamente conhecido como o Buda. Buda, na tradição budista, é o título dado aos raros homens que alcançam um estado de iluminação através da meditação e práticas ascéticas de desapego.

A história da iluminação de Siddharta é lindamente narrada no clipe abaixo, extraído do excelente filme O Pequeno Buda (de 1993, dirigido por Bernardo Bertolucci). O clipe ilustra o despertar da consciência como um processo que passa pela entrega espiritual, pelo autoconhecimento e pela superação das emoções grosseiras e apegos do ego, para finalmente chegar aos sentimentos de conexão com todo o universo e de compaixão por todos os seres – a iluminação.

A iluminação do Buda envolveu o caminho nada fácil de reconhecer dentro de si as cinco filhas de Mara, o senhor da escuridão: o orgulho, a ganância, o medo, a ignorância e o desejo; e de olhar a realidade além delas. Tendo fracassado em iludir Siddharta com suas filhas, Mara, furioso, lança sua última cartada: provocar o amor de Siddharta à imagem de si. Mas o príncipe, sabiamente, consegue também olhar a realidade para além do próprio ego.

Pela meditação profunda, o Buda distinguiu ilusão de realidade, atingindo com tal discernimento infinita paz e perfeita lucidez. Compreendendo as angústias humanas e libertando-se delas, sua consciência se iluminou e seu coração transbordou de compaixão.

Olhar o mundo e a vida além das aparências é muito difícil, não só porque requer o esforço de desapego das ilusões que nos são tão queridas, mas também porque vivemos num mundo que enaltece as coisas da matéria e do ego. O desapego é, em nosso contexto, uma atitude contra cultural, e atitudes contra culturais sempre provocam severa resistência, tanto dos outros quanto de nós mesmos.

Mas se persistirmos nos esforços pelo autoconhecimento, desapego e conexão espiritual, após passada a “tempestade de Mara” pode surgir uma contemplação mais serena das questões da vida, com aceitação paciente e compreensiva de todos os seus aspectos, inclusive os mais dolorosos, que existem dentro e fora de nós.

Mesmo para aqueles que não são ascetas e que simplesmente buscam trilhar uma senda de equilíbrio espiritual no mundo ocidental, a história da transformação de Siddharta Gautama em Buda aponta os caminhos pelos quais a consciência passa no seu processo de despertar interior. Este despertar requer o reconhecimento em nós mesmos das trevas do ego, para poder em algum grau transcendê-las e caminhar pela vida de forma mais lúcida, confiante e serena.

Um comentário em “O despertar interior do Buda”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.