Isso também passa – Chico Xavier

Chico Xavier costumava ter em cima de sua cama uma placa com os dizeres:

ISSO TAMBÉM PASSA!

Perguntaram a ele o motivo… Ele disse que era para que quando estivesse passando por momentos ruins, lembrar-se de que eles iriam embora, que iriam passar, e que ele estava vivendo aquilo por algum motivo. Mas a placa também era para lembrá-lo de que quando estivesse muito feliz, ele não deveria deixar tudo para trás e se deixar levar, porque esses momentos de euforia também iriam passar, e momentos difíceis viriam novamente.

Todas as coisas na Terra passam.
Os dias de dificuldades passarão.
Passarão também os dias de amargura e solidão.
As dores e as lágrimas passarão.
As frustrações que nos fazem chorar, um dia passarão.
A saudade do ser querido que se vai, na mão da morte, passará.
Os dias de glórias e triunfos mundanos, em que nos julgamos maiores e melhores que os outros, igualmente passarão.
A vaidade interna, que nos faz sentir como o centro do universo, um dia passará.

A vida é feita de momentos, momentos pelos quais temos que passar, sendo bons ou não, para o nosso aprendizado. Nada é por acaso. Precisamos fazer a nossa parte, desempenhar o nosso papel no palco da vida, lembrando que ela nem sempre segue o nosso querer, mas é perfeita naquilo que tem que ser.

Chico Xavier

Postado originalmente no Mensageiros da Luz, no Facebook.

Gentileza gera gentileza – Agente Meirelles

“É necessário que você trate as pessoas bem. Você recebe de volta aquilo que você planta.”

“Não é o trânsito que te educa, você leva a sua educação para onde você quiser. O trânsito nada mais é do que pessoas, pessoas dirigindo veículos.”

Jobson Meirelles, da Secretaria Municipal de Transporte e Trânsito (Semtran).

Postado originalmente no Facebook pela Maísa Intelisano.

As sementes da intolerância

Por Samantha.

As sementes da intolerância são plantadas nos pequenos pensamentos, comentários e atitudes depreciativas – às vezes disfarçadas de humor – que exibimos cotidianamente a respeito daqueles que são diferentes de nós. A intolerância revela muito de nosso egocentrismo, e visa justificar todas as formas de dominação.

Quanto maior o grau de escolha envolvido nas diferenças, tanto mais afrontado se sente o preconceituoso. A diferença do “outro” inanimado, vítima das circunstâncias, nos parece mais palatável do que a do “outro” agente, que deliberadamente se posiciona de forma alheia ou mesmo oposta às nossas convicções.

É preciso vigiar os preconceitos: eles nos tornam veículos da intolerância. São as suas sementes, que, adubadas por nossa arrogância, germinam sorrateiramente e viram velhas árvores na floresta da segregação.

Árvore seca

Pai Nosso na minha versão

Por Lesly Monrat

Pai-Mãe, preto-branco, homossexual-heterossexual, rico-pobre
Abençoado seja todo o mundo, independente de bandeiras
As fronteiras não existem em seu reino, que todos possam circular
Ilimitadas sejam as concepções da harmonia e da paz verdadeira

Dai-nos força para perdoar as indiferenças,
assim como desejamos ser aceitos incondicionalmente
Mas quando isso não acontecer que nos lembremos da impermanência
De como o novo vira velho, de como o filho vira pai
E que em todos os instantes possa haver amor

Não nos deixei cair no esquecimento
de que não somos seres sozinhos
de que precisamos viver em comunidade
de que precisamos viver em natureza
de que precisamos viver o todo

E livrai-nos de nós mesmos, quando o egoísmo estiver nos sufocando
quando não ouvirmos mais a chuva
quando não nos sensibilizarmos mais com o sol e com a lua

Que possamos despertar para a plenitude
De todos os reinos, de todos os seres

Ó ser Universal!

Pai nosso

O mundo no caleidoscópio de um maluco

Por Sérgio G. Kiss

Neste sábado, e por motivos de trabalho, saí meio que as pressas devido ao horário por chegar em Santos, antes do comércio fechar para o fim de semana, fui obrigado a dirigir de forma segura porem rápida e tensa; Uma vez resolvido meu problema, programei-me para fazer a volta com toda calma e tranquilidade, dirigindo despreocupadamente e ouvindo boas musicas, no caso meu daquele momento, Carpenters, que eu gosto muitíssimo.

Fiz o caminho que passa pela orla da praia, com aquele calçadão maravilhoso, com jardins tão bem cuidados e floridos de cores diversas, com árvores fazendo sombras sobre os inúmeros bancos espalhados pelo local, ao fundo um mar de azul inebriante, repleto de embarcações de todos os tamanhos; O dia estava lindo com um sol claro e ameno, uma brisa fresca que soprava com suave maresia, e as pessoas… ah, as pessoas!

Quanta gente havia lá…! Algumas fazendo seus exercícios, outras simplesmente passeando, havia ciclistas, pedestres, jovens, crianças e adultos, e toda aquela cena foi rapidamente adquirindo uma qualidade diferente, um sentimento muito forte me foi invadindo o espírito, e sem saber como ou porque, uma paz, somada a uma alegria, por simplesmente estar vivo, por existir, por estar ali.

Que coisa impressionante enxergar de verdade as coisas, ao invés de apenas ver, de sentir com um sentimento tão forte que chega a doer no peito; Lembrei-me de alguns poetas lidos no passado, que diziam que a felicidade pode ser tamanha que incomoda, que doí, e percebi que é verdade, eles estavam certos, eles deviam ter sentido algo parecido a isso.

Vi um casal, passeando tranquilamente pela calçada larga, conversando e sorrindo, empurrando um carrinho de bebê, e a vontade que senti foi de parar o carro ali mesmo no meio da rua, e correr em direção a eles e abraça-los, e dizer-lhes o quão linda era aquela visão, o quanto eles eram privilegiados por existirem, se conhecerem, e terem a oportunidade de trazer ao mundo outro ser humano.

Naquele momento o sentimento era tão forte que eu abraçaria as arvores, as placas de transito, as pessoas e os postes, porque tudo me parecia imensamente familiar e pessoal, sentia Deus em tudo, e via o Deus do mundo no mundo de Deus, em todas as coisas sem distinção.

Pensei no que aquele casal pensaria se eu o fizesse? Como eles iriam lidar com uma coisa dessas? Compreenderiam?

Não creio; No entanto meus sentimentos eram os mais sublimes e belos que eu já tive oportunidade de sentir, mas… sem poder dividi-los com ninguém, como agora, ao escrever e pensar se alguém está realmente entendendo o que quero dizer? Será que outras pessoas já sentiram essas coisas, e com essa intensidade, ou estarei maluco realmente por senti-las?

O transito segue lento, o meu estado de espírito segue inalterado, e em tudo vejo Deus e a beleza da vida, elevo o pensamento em gratidão ao Supremo Arquiteto deste universo, e enquanto viajo nos sentimentos vejo adiante uma linda moça que vem correndo fazendo exercícios, com fones de ouvidos… O que será que está ouvindo? O que estaria pensando?

É um universo particular, e vejo nela uma beleza indescritível, sem nenhuma infiltração de pensamentos menos dignos, vejo nela a beleza do ser humano, das formas de nossos corpos, da beleza dos movimentos, da possibilidade de estar ali existindo, sendo, e me pego olhando com a mesma admiração para os homens, crianças e idosos; Tudo é tão perfeito, tudo é tão belo que incomoda, e o coração parece querer romper do peito pois não cabe em si.

Vou seguindo assim inebriado até chegar a fila para a balsa, a fila esta parada e logo vem um garoto com um tabuleiro vendendo salgadinhos, e aquilo me comove, pergunto a ele quanto ele ganha do que vende. E ele me diz com suas palavras, que muito pouco, pois o lucro mesmo é do seu “patrão”; Dou-lhe algum dinheiro mas não pego nada do tabuleiro, e lhe digo: coloque esse dinheiro em outro bolso, ele é para você, não para o seu patrão, Deus te abençoe.

O garoto assume uma fisionomia diferente, dividida entre a alegria e a desconfiança, me olha como quem deseja ardentemente entender o que esta acontecendo, parece querer sair correndo dali antes que eu mude de ideia, ao mesmo tempo em que deseja ficar perto de mim, para ouvir alguma explicação que deve ser tão necessária para ele poder encaixar em seu mundo particular, de modo a tudo isso lhe fazer algum sentido; E assim, dividido entre o que desejaria e o dever das vendas que lhe chama, afasta-se em completo silêncio, com passos incertos e hesitantes, dividido entre a emoção e a razão, em direção ao carro de traz para tentar mais uma venda. Eu o observo pelo retrovisor lateral, e ele, ainda andando lento, olha a todo momento para traz na minha direção. Eu penso: “Meu Deus, o que estamos fazendo uns aos outros, para que uma atitude de carinho com o semelhante levante tamanha perplexidade?”

Adiante um pouco, um homem está sentado em cima do muro que separa a calçada do braço de mar à minha esquerda, ele tem duas muletas encostadas ao seu lado, e ao olha-lo, novamente aquele desejo de deixar o carro e abraça-lo me invade, enquanto imagino… e agora sei que vão mesmo pensar em me internar… que experiência incrivelmente enriquecedora deve ser viver com uma dificuldade como essa, talvez o que esse homem irá aprender em uma única vida, a respeito de resignação, superação de dificuldades e etc., eu precise de séculos para aprender.

E se naquele momento eu realmente o fosse abraçar, eu lhe diria ao ouvido… “Eu te felicito irmão, porque nunca estivestes tão saudável, como agora que teu corpo esta doente”. Pensei, achando que já perdia a razão, no que ele faria se assim eu o fizesse? Será que ele entenderia o que eu estaria dizendo? Duvido…

Lembrei-me de uma ocasião há tempos atrás em que eu estava na calçada em frente ao meu trabalho, descansando um pouco do dia corrido, e olhando o movimento na avenida, quando um homem maltrapilho que eu julguei ser um mendigo, simplesmente estancou a minha frente e me cumprimentou efusivamente, com uma alegria completamente destoante de sua aparência, e me disse coisas que eu julguei serem de quem estava fora de sua razão; E pensei que se eu fizesse o que desejava ali, seria encarado da mesma maneira pelo homem de muletas, e lembrando-me daquela ocasião com o homem mal vestido na calçada, pensei: “Quem era de fato o mendigo, o homem de roupas sujas, alegre e feliz, falando coisas que eu não entendia e sentindo o que eu não sentia, ou eu com minha cara amarrada e cansada do momento?”

O transito para a ponte se abriu e eu segui, pensando que deveria brigar com alguém pela janela do carro, comer um bife mal passado, sei lá, qualquer coisa para “aterrar” um pouco e voltar ao estado normal, porque ninguém podia viver assim, sentindo e pensando aquelas coisas, neste nosso mundo caótico de gente que pensa que é sensata e arrazoada, acreditei naquele momento que os loucos são só pessoas que não conseguem se fazer entender, nada mais.

Bem meu irmão ou irmã de jornada, nestes escritos não trago nenhuma grande lição, não posso te dizer como viver a tua vida porque as vezes me questiono se estou realmente certo na direção da minha, tão pouco posso dizer o que sentir ou pensar, mesmo porque as vezes penso e sinto coisas como estas que estão aqui expostas, e que a mim mesmo parecem loucuras, doces loucuras.

Sei que alguns entenderão e até sentirão algo diferente ao ler estas linhas, mas para aqueles que pensam diferente disso, sempre sobra uma possibilidade, a de encarar tudo isso com a visão de um maluco, pelo fantástico caleidoscópio da vida, neste mundo de Deus.

Sérgio G. Kiss (*)

(*) Sérgio participa da Associação Espírita Casa do Caminho, em Peruíbe-SP. Gentilmente nos autorizou a compartilhar o seu texto inspirado.

Vida felicidade

Eles Vivem IV – vídeo

Nada melhor para inaugurar o site do que o vídeo belíssimo feito pela Jaklin R. K. em cima de um texto do Wagner Borges, o Eles Vivem IV.

A música se chama Life is Eternal, de Carly Simon e Nathias Gohl, e faz parte do CD Songs of Healing, de Robert Gass.

Update 27/01/2017: o vídeo que estava publicado originalmente foi removido do YouTube, então substituímos por outro vídeo da mesma música. Infelizmente essa versão não tem o texto do Wagner Borges em cima. Mas o texto do Wagner continua disponível no site do IPPB.

Letra Tradução
Lately I’ve been thinking
How we are here
How we pass on
Of those whom I loved who now are gone
Where I cannot see
It’s a mistery
Ultimamente tenho pensado
Como estamos aqui?
Como continuamos?
E naqueles que amei, que agora se foram
Para onde não consigo ver
É um mistério
Just how far and who knows
How and where our spirits go
Will they soar like jazz on a saxophone
Or evaporate on a breeze?
Won’t you tell me please?
Qual a distância exata e quem sabe,
Como e onde nossos espíritos vão?
Irão eles se elevar como o jazz no saxofone,
Ou evaporar com a brisa?
Você poderia me dizer, por favor?
That life is eternal
And love is immortal
And death is only a horizon
Que a vida é eterna
E o amor é imortal
E a morte é apenas um horizonte
Life is eternal
As we move into the light
And a horizon is nothing
Save the limit of our sight
Save the limit of our sight
A vida é eterna
Pois nos movemos dentro da luz
E o horizonte não é nada
A não ser o limite de nossas vistas
A não ser o limite de nossas vistas
Here on earth we’re like lost souls
Ever trying to find out our way back home
Maybe that’s why each new star is born
Expanding heaven’s room,
Eternity in bloom
Aqui na terra nós somos como almas perdidas,
Sempre tentando achar nosso caminho de volta para casa
Talvez esse seja o porquê de cada nova estrela nascer
Para expandir a sala do paraíso,
Eternidade em florescência
And will I see you in heaven?
In all its light will I know you there?
Will we say the things that we never dared?
If wishing makes it go
Won’t you let me know?
Eu o verei no paraíso?
Em toda essa luz eu reconhecerei você lá?
Iremos dizer as coisas que nunca nos atrevemos?
Se o desejar fizer com que isto aconteça,
Você me deixará saber?