Usando as emoções no caminho espiritual

Por Ram Dass.
Original em inglês no site do autor. Tradução por Melhor Consciência.

Como podemos usar nossas emoções de forma positiva em nosso caminho espiritual? Podemos olhar para a prática da chamada yoga devocional, ou Bhakti Yoga, como é chamada no Hinduísmo. Por exemplo, se a sua relação é, digamos, com Cristo – você poderia pegar uma imagem de Jesus e pensar sobre as qualidades da sua vida; as qualidades da sua compaixão; as qualidades da sua beleza de ser; e as qualidades do seu relembrar às pessoas sobre Deus. Você poderia olhar para aquele ser e ele geraria em você, se você o permitir, respostas emocionais.

Estas respostas emocionais são relacionais. São respostas cálidas, humanas, de Amor, de cuidado, de ternura. Então se você permanecer com aquela imagem de Jesus e continuar a estar com Jesus, você irá além dessas emoções em direção a uma forma mais profunda de estar com ele. De apenas estar com ele no sentido da presença. E aquela presença inclui mais e mais a essência do amor. Mas você passa pela porta de entrada emocional. Você usa o seu coração emocional como um veículo para adentrar aquela forma mais profunda de estar com Deus. Esta é uma forma.

Então existem outras formas de emoções que são geradas – como raiva, tristeza, alegria, todo aquele espectro de emoções. O que se cultiva é a amplitude, ou uma consciência que permite que você reconheça as emoções, e que retorna à palavra ‘apreciação’ novamente. Reconheça as emoções e permita-as, veja-as como parte da condição humana. Elas são como formas-pensamento sutis. Emoções são formas-pensamento realmente sutis. E todas elas emergem em resposta a alguma coisa. Elas são reações que vêm. Se alguém fizer ‘assim’, você tem uma certa resposta emocional. Se fizer ‘assado’, você tem uma resposta diferente.

Você pode sentir o quão reativas suas emoções são a situações. Então você cultiva uma quietude em você mesmo que apenas assiste a essas coisas indo e vindo, surgindo e indo embora. E você aprende a não agir com suas emoções, mas apenas apreciá-las e permiti-las. Essa é parte da forma com que você as utiliza espiritualmente. Espiritualmente, você não age com as suas emoções. Você apenas as reconhece. Você não as nega, no entanto. Você não as derruba. Você reconhece que está com raiva, mas você não precisa dizer “Ei, estou com raiva”. Isso é diferente. Mas você a reconhece; você não a nega. Esta é a chave.

Portanto, a forma que você utiliza emoções como o amor e o cuidado é em práticas devocionais, você as direciona para Deus. E quanto aos outros tipos de domínios emocionais, você os testemunha, você se senta com eles e os assiste mudar, ir e vir, mas você não os nega – você permite que eles sejam queimados na luz da consciência. Porque isso é parte da sua condição humana.

Quando falarmos sobre serviço, vocês verão como lidamos com o sofrimento. E verão que ele desperta emoções intensas. E o seu coração está partido. E você deve deixar o seu coração se partir. Mas você cultivou um outro plano de realidade que é aquele que observa e permite; e por detrás de tudo está a qualidade da equanimidade. Então, as emoções funcionam melhor quando você também tem um outro plano que não é emocional, andando junto com ele, na verdade. Porque perder-se na sua reatividade emocional apenas cava um profundo buraco kármico. Mas permitir a sua humanidade, faz realmente parte. Permitir a sua humanidade.

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