Música: a respiração da alma

“Tudo na natureza canta e vibra; todas as criaturas emitem vibrações que se espalham ao seu redor em forma de ondas musicais. É por isto que é verdadeiro dizer que tudo na natureza é música. Há música em um riacho que corre, no murmúrio de uma fonte, no pingar das gotas de chuva, no rugido de uma catarata e no incessante fluxo e refluxo das ondas do oceano. Há música na voz do vento, no sussurro das folhas e no gorjeio dos pássaros. E a música da natureza constantemente acorda e estimula o sentimento musical no homem, acendendo nele o desejo de se expressar por meio de um instrumento musical ou através da música. Quando o homem sente a necessidade de comunicar seus sentimentos e emoções é para a música que ele se volta mais espontaneamente; quando ele quer expressar seus sentimentos religiosos mais profundos ele se volta para a música; todas as suas alegrias e tristezas, seu amor e toda experiência profunda é expressada na música.

A música é a respiração da alma e da consciência do homem. É através da música que a alma se manifesta no mundo. Quando a consciência superior do homem for despertada, quando ele desenvolver a sua capacidade de perceber as realidades mais sutis, ele começará a ouvir a grande e gloriosa sinfonia que reverbera através do espaço de uma ponta a outra do universo, e ele compreenderá o significado mais profundo da vida.”

(Omraam Mikhaël Aïvanhov, em Creation: artistic and spiritual)

Um belíssimo exemplo de criação musical elevada é o trabalho do guitarrista norte americano Eric Johnson. O clipe a seguir é da inspirada música de sua autoria When the Sun meets the Sky. E logo abaixo, o trecho de uma entrevista com o músico abordando o papel da espiritualidade no seu processo criativo.

Entrevistador: Você nota alguma diferença na sua abordagem da arte na medida em que vai ficando mais velho?

Eric Johnson: Hoje eu sinto que tenho mais distrações. Eu tenho a impressão que a vida era mais simples quando eu era criança. Pode ser apenas uma fase, não sei. Quando você é mais jovem existe um certo elemento de paixão e energia que vem gratuitamente – você acorda de manhã e já o possui. Quando você envelhece você precisa trabalhar um pouquinho para manter essa paixão viva e essa ética de trabalho. Pra mim vale muito a pena. Mas eu preciso fazer um esforço. Por paixão eu quero dizer sentir-se novo, permanecer aberto e não se fechar naquilo tudo que você tem sido, que foi definido pelo seu passado. Quando éramos crianças não éramos tão definidos pelo nosso passado, apenas absorvíamos tudo no momento. E essa é a melhor postura criativa que se pode ter. É importante manter-se dessa forma enquanto você vai envelhecendo. Quando você se prende em toda a história, fica mais desafiador.

Entrevistador: Uma coisa que se destacou quando você era jovem foi a sua disciplina – a meditação, os exercícios espirituais, o tempo que você se dedicou ao seu instrumento. É uma parte central da sua vida?

Eric Johnson: Sim, é.

Entrevistador: Você ainda medita?

Eric Johnson: Sim, eu tento fazer todo dia.

Entrevistador: Quais são os benefícios da meditação?

Eric Johnson: Como seres humanos estamos sempre tendo que visualizar. Com os nossos sentidos, aquilo que vemos, aquilo que ouvimos, estamos sempre colocando pra dentro. Então sempre que não estamos dormindo, e até enquanto estamos dormindo, estamos sempre pensando sobre as coisas, escutando coisas, olhando para as coisas. Tem um bombardeio sem fim disso, que parece que se torna 10 mil estações de rádio ligadas ao mesmo tempo. Então às vezes é bom passar um pouquinho de tempo apenas tentando desligar de tudo isso e voltar a uma fonte dentro de você mesmo, onde você não está sendo bombardeado por isso. Temos essa fonte 24 horas por dia, apenas é difícil para nós estarmos alinhados com ela porque estamos sempre ocupados recebendo todas essas informações. E isso se torna um hábito. Em função da nossa constituição biológica, estamos sempre ampliando, gravitando em torno e desejando tudo isso. Então é quase uma situação sem saída. Jogamos a rede de pesca e puxamos de volta toda essa cacofonia. E então nos perguntamos porque temos a cacofonia, mas ainda estamos jogando as redes de pesca. Então tem a ver com tentar quebrar esse ciclo. É interessante, muitas pessoas são bem adeptas a meditar ou a permanecer nessa fonte, e eu nunca alcancei nenhum grande status fazendo isso. Mas apenas em almejar ou tentar sentar sozinho e ficar quieto por 15 minutos ou 2 horas ou qualquer tempo que você queira, você recebe uma abundância de benefícios, independentemente de você ser bom nisso ou não.

Entrevistador: Uma de suas músicas na noite de ontem, “Promised Man”, mencionava Deus. Você acredita que tem um Deus de alguma forma?

Eric Johnson: Sim, acredito.

Entrevistador: O que você acha que acontece depois que alguém morre?

Eric Johnson: Fala-se tanto sobre o que acontece. As pessoas falam das mesmas coisas – elas vão por um túnel, elas veem a luz. Deve haver alguma simetria, porque tantas pessoas falam sobre isso. Muitas passam por situações em que a vida corre risco e de repente elas estão olhando para baixo e vendo os seus corpos. Se fosse apenas um caso, ou se fossem diferentes casos com diferentes experiências, seria diferente, mas existe uma sincronicidade em tudo isso, eu acho que há alguma coisa. Eu não sei. Eu acho que algumas pessoas têm experiências em que elas percebem que são mais do que os seus corpos físicos – isso enquanto elas ainda estão vivendo aqui. Eu acho que em último caso, quando formos para onde iremos, vamos perceber que somos mais do que o nosso corpo físico.

Entrevistador: Imagine que você está nesse momento de transição. Lá está Eric Johnson caminhando pelos portais do paraíso e o guardião do paraíso lhe dá uma guitarra e diz: “Ok Johnson, você precisa tocar uma música para eu ver se você vai entrar ou não”. O que você tocaria?

Eric Johnson: Ah, caramba. Eu provavelmente tocaria “May This Be Love” do Jimi Hendrix. Ou tentaria!

One thought on “Música: a respiração da alma”

  1. Muito legal a materia. Gostei muito.

    Não há dividas pra mim que a musica seja vibração e a natureza o mesmo.

    Muito sábio o Eric Johnson na resposta das questões.

    Lindo o vídeo.

    Obrigado e parabéns pelo trabalho.

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