As Três Grandes Leis da Magia

Capítulo 11 do livro O Livro da Magia Divina, de Omraam Mikhaël Aïvanhov. Traduzido da edição Inglesa.

A Lei dos Registros

Pode ser que você duvide da existência de Deus, que você não acredite nem em anjos nem em demônios, tampouco em céu ou inferno, mas há uma coisa da qual ninguém pode duvidar, de que nossos pensamentos, sentimentos e ações são todos gravados tanto dentro como fora de nós, de que todos eles deixam um rastro. O conhecimento desta lei é a base de toda a vida moral e espiritual porque, se tudo é gravado, não podemos mais nos permitir fazer, pensar, sentir ou desejar o que quer que nos apraza sem discriminação, pois tudo traz certas consequências.
Claro, me dou conta de que essa ideia é nova para muitos. É normal que seres humanos, tão inteligentes, experientes e tecnicamente avançados, gravem coisas; todos sabemos disto. Basta ver todas as imagens, palavras e músicas que já foram gravadas. Mas como pode a natureza gravar coisas? É em questões como esta que se pode ver o quão ignorantes são os seres humanos. A verdade é que nada existe no mundo visível que não já exista no mundo invisível. A inteligência cósmica é pioneira no campo dos registros. Na verdade, Ela foi muito além do homem; os registros que Ela faz são muito mais sutis do que o homem poderia sonhar conseguir. Para proteger os Seus arquivos, a inteligência cósmica gravou tudo que aconteceu na história do universo. É por isto que toda a criação, a terra, as montanhas, e acima de tudo, as pedras, foram desenhadas para gravar e preservar essa história.
Todo evento que acontece reflete e deixa traços em todos os objetos em sua vizinhança, traços que jamais podem ser apagados. Estes traços podem estar enterrados sob camadas e camadas de eventos posteriores, mas eles continuam a existir e é possível redescobri-los. São eles que são conhecidos como Registro Akashico. Mas como seres humanos nunca desenvolveram as faculdades que os permitiriam decifrar estes registros e entender o universo, eles produzem uma infinidade de hipóteses e elaboram teorias que são obrigados a abandonar, uma após a outra, quando provam ser inexatas.
Não apenas os grandes eventos da história do universo são gravados, mas todos os eventos menores de nossas vidas cotidianas também são resgistrados. Tudo que fazemos em nossas casas deixa uma impressão, uma imagem, um negativo fotográfico. A memória de tudo que foi dito ou feito vive, no plano etérico, nas paredes, na mobília e outros objetos, e um médium ou alguém muito sensível pode ver e decifrar tudo.
Deixamos nossa impressão em tudo que tocamos; na verdade, mesmo que não toquemos em nada, nossa simples presença, as emanações de nossos corpos físico e astral, é o suficiente para deixar um rastro no ambiente. Mesmo quando não fazemos nada além de passar por um lugar ou encontrar pessoas casualmente, deixamos traços que podem ser bons ou ruins, luminosos ou escuros. É por isto que é tão importante trabalharmos sobre nossos pensamentos e sentimentos de forma a melhorá-los e purificá-los, pois sabemos que não é apenas pelas nossas ações que fazemos o bem ou o mal, mas também por nossos pensamentos e sentimentos.
Mas antes de serem gravados e deixarem sua impressão no mundo fora de nós, nossos pensamentos e sentimentos são gravados e deixam a sua impressão dentro de nós. É por isto que alguém que nutriu sentimentos de inveja, egoísmo e maldade por um longo tempo, acaba sendo paralisado e envenenado pelas marcas escuras e viscosas que esses pensamentos e sentimentos deixaram dentro dele.
A prova de que tudo é registrado pode ser vista no fato de que as pessoas repentinamente relembram, dúzias de anos mais tarde, um incidente de sua infância. Alguém que tenha escapado por pouco da morte em um acidente, por exemplo, nos contou que viu sua vida se desenrolando ao contrário diante dos seus olhos, como se fosse um filme sendo projetado a uma velocidade estonteante. Como pode que nada daquele registro tenha se perdido?
Uma vez que você conheça esta lei dos registros, você é obrigado a ser razoável e prudente e evitar cometer quaisquer atos repreensíveis porque, mais cedo ou mais tarde, não apenas tais atos emergem à superfície da sua consciência e lhe obrigam a se arrepender, mas alguns eventos e fenômenos bem desagradáveis podem resultar deles. Sim, pois não apenas tudo é gravado como, em virtude da lei da afinidade, seus registros maléficos produzem efeitos maléficos em ambos os mundos visível e invisível; eles interrompem a ordem dos seus átomos e elétrons e atraem forças hostis que irão, um dia, atacar e consumir vocês.
Certamente, muitas pessoas aceitam a noção da lei dos registros, mas não é suficiente aceitar que ela existe. Vocês devem levá-la em conta, na prática, em suas vidas diárias. Onde quer que vá e o que quer que faça, cuide para deixar apenas rastros luminosos atrás de você. Você está caminhando ou dirigindo por uma estrada: abençoe aquela estrada e peça que todos que passam por aquele caminho possam receber paz e luz e ser guiados para o caminho correto. Por que contentar-se em viver inconscientemente e gravar nada além de sujeira e desordem? Por que não tentar trabalhar como o sol que incessantemente impregna o universo com sua luz e calor, sua vida e generosidade? Procure não se deixar ser guiado para atividades negativas, caóticas e destrutivas nunca mais; procure aprender como se comportar perante a criação e todas as criaturas. E em todos os lugares e sempre, o que quer que toque e onde quer que vá, lembre-se de deixar marcas de luz e amor de modo que, mais e mais, todos os seres humanos possam vibrar em uníssono com o mundo divino.

A Lei da Afinidade

Aqueles que estudaram a relação que existe entre seres humanos e o cosmos descobriram que existe uma correspondência absoluta entre eles. Cada vibração tem uma tendência de buscar e se unir a uma outra vibração da mesma frequência, e isto significa que todas as criaturas, por meio de suas vibrações particulares e comprimentos de onda, estabelecem contato com outros seres, entidades e forças do mesmo comprimento de onda e da mesma frequência de vibrações, onde quer que estejam no universo. Por meio de seus pensamentos, sentimentos e ações, portanto, o homem busca e atrai para si, por afinidade, as regiões e criaturas visíveis e invisíveis que vibram no mesmo comprimento de onda. Mas, como seres humanos são ignorantes quanto a estas verdades, eles fazem o que quer que sua tendência lhes dite e depois se surpreendem de se encontrar em dificuldades terríveis.
Suponham que temos uma mesa, aqui, na qual colocamos vários diapasões, apenas dois dos quais do mesmo comprimento. Se começarmos a vibrá-los, um após o outro, cada um dará um som diferente, até que cheguemos aos dois idênticos; então, assim que fazemos um deles vibrar, o seu gêmeo responderá, sem ser tocado, e produzirá a mesma nota. Vocês todos são familiarizados com este fenômeno, mas nenhum de vocês sabe o quão importante a lei por detrás dele é para nós. Sim, pois o exato mesmo fenômeno ocorre entre seres humanos e tudo o que existe no universo. Se você tentar ter apenas pensamentos luminosos, desinteressados, e sentimentos puros e generosos, graças à lei da afinidade você atrairá entidades e elementos do espaço afins, e desta forma, você receberá mais e mais ajuda e apoio.
A luz da ciência iniciática dá a cada um de nós o poder de criar o tipo de futuro que queremos. E se aprendermos a cultivar estados mais elevados de mente e alma, nada jamais será capaz de nos separar dos seres lindos, luminosos e nobres dos quais almejamos estar junto.
Muitos de vocês estão freqüentemente desorientados e infelizes, e como vocês não sabem como se libertar do seu tormento, vocês se resignam a ele. Por que não ir e pedir ajuda daqueles que poderiam lhes dar? Eles estão ali, em todos os lugares, muito perto de vocês; se ainda não os estão ajudando de fato é porque vocês não sabem como pedir a eles. Se quiserem que os ouçam, vocês devem tentar ter ao menos um bom pensamento, um bom sentimento, fazer ao menos uma ação desinteressada. Quando você faz isso, começa a vibrar na mesma freqüência destes seres superiores, e percebendo isso, eles serão obrigados a vir e ajudar vocês.
Seus próprios pensamentos, sentimentos e ações determinam exatamente que tipo de elementos, forças e seres serão despertados, e eventualmente, atraídos do espaço até vocês. Este é a lei da afinidade; é uma das grandes leis da magia e vocês devem governar suas vidas por ela. A cada dia, quando vocês sentem que certos pensamentos e sentimentos estão tentando se infiltrar, digam a si mesmos: `Este pensamento ou sentimento necessariamente tem uma afinidade com elementos de um certo tipo no espaço. Se eu me associar a eles, estarei atraindo algo bom ou algo ruim?’ Se você vir que o resultado será bom, vá em frente; se não, tenha cuidado.
Como eu tenho freqüentemente dito, nós somos como peixes em um oceano. Muitos tipos diferentes de peixes vivem nos mares e oceanos e cada um retira da água os elementos que correspondem à sua natureza particular e os usa para formar o seu corpo: o tamanho, o formato da cabeça, a largura e comprimento do seu corpo, o tipo de cauda e a cor e o brilho ou opacidade de suas escamas são todos determinados pelos elementos que absorve. E é exatamente o mesmo para nós: somos peixes nadando no oceano da vida, e somos o que somos por causa dos elementos que formaram nossos diferentes corpos (físico, astral, mental, etc.) Você pode encontrar alguém, por exemplo, que tem uma deficiência em todos os níveis: esta é uma conseqüência de suas encarnações prévias durante as quais, seja por ignorância ou má intenção, ele atraiu entidades e correntes negativas que agora o estão atormentando e atrasando sua vida. E vocês encontrarão outros que, pelo contrário, atraíram elementos superiores durante suas encarnações prévias e que agora são seres bonitos, inteligentes e capazes que são amados e admirados por todos. Então vocês vêem como é importante conhecer a lei da afinidade e começar a trabalhar imediatamente para atrair do oceano do espaço partículas tão brilhantes e luminosas que todos os aspectos do seu ser interior possam começar a melhorar.

A Lei do Retorno

Tudo na vida pode ser estudado de inúmeros pontos de vista diferentes: físico, químico, astronômico, político, financeiro e assim por diante, e cada ponto de vista é válido. Mas até que vocês estudem as coisas do ponto de vista da magia vocês não conseguem entender a única coisa que realmente importa. Sim, se vocês não sabem qual efeito as coisas têm em nós, como objetos e eventos nos influenciam, vocês ainda não sabem a única coisa que realmente importa. Pois tudo na natureza: sol e estrelas, plantas, pedras e animais, tudo que existe, nos afeta e influencia.
E as ações dos seres humanos, seus olhares, gestos e palavras, também são mágicas. Infelizmente, muito poucas pessoas estão conscientes dos efeitos que produzem; elas gesticulam, jogam olhares trevosos e dizem todo tipo de coisas negativas, sem sequer perceber que o cosmos é uma tábua de ressonância imensa e que todas as suas manifestações ricocheteiam nela e voltam para atingi-los. Se você estiver cercado de montanhas e você grita: ‘Eu te amo!’, você ouvirá o eco, ‘Eu te amo, amo amo.’ E o mesmo fenômeno ocorre em todas as áreas de nossas vidas: não apenas toda causa é seguida por um efeito, mas também, como a lei da resposta por eco demonstra, o que quer que você faça consequentemente se vira de volta a você. Isto é o que chamamos, também, de lei do retorno.
As consequencias de nossas ações não são sentidas imediatamente; elas começam por afetar outras pessoas, nossa família e amigos, por exemplo. Às vezes, de fato, elas afetam pessoas que estão muito longe e a quem sequer conhecemos mas que recebem as ondas produzidas por nossos pensamentos, sentimentos e ações.
Deixem-me dar-lhes outro exemplo, aquele do experimento de Gravesande que é, estou certo, familiar a todos vocês. Um número de esferas são penduradas lado a lado em fileira, tocando umas às outras. A primeira bola na ponta é puxada e então deixada cair de volta no lugar onde, é claro, atinge a segunda bola. Mas então algo surpreendente acontece: aquela segunda esfera e todas as outras na fila, à exceção da última, permenecem estáticas; a última bola salta para fora em um ângulo relativo à sua posição original. Este fato é muito importante: é a última bola na série que sofre os efeitos do choque e balança para fora, enquanto todas as outras permanecem imóveis, agindo simplesmente como transmissoras.
Basta refletir por um momento para encontrar um número de aplicações desta lei em nossas vidas. Os diferentes países e grupos sociais no mundo representam uma fileira de esferas ligadas entre si num sistema; se um deles comete um crime, qual bola será levada a balançar para fora da linha? Em outras palavras, qual sofrerá as conseqüências? A última da série. Mas não sabemos qual é a última.
Agora vocês entendem a natureza da ligação que existe entre os homens. Você acha que pode fazer isso ou aquilo sem sofrer por isso. Talvez, por enquanto; mas outros, aquele representados pela última bola na série, serão afetados. E isto é verdadeiro para o bem tanto quanto para o mal. A primeira bola pode dizer para si mesma: ‘atingi meu vizinho e nada aconteceu’. Sim, ela pode pensar que nada aconteceu, mas não sabe que a última bola na série foi afetada.
E isto não é tudo. A última bola recebe o choque e balança para fora, mas então cai de volta no lugar e reproduz o mesmo fenômeno em reverso: as vibrações são transmitidas através de toda a série de bolas, e uma vez mais, é a vez da primeira se deslocar para o lado e de volta novamente. Em outras palavras, a primeira bola sente o movimento contrário de sua ação original.

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Isto significa que todos os nossos infortúnios se originam de falhas que cometemos no passado, seja nesta vida ou em encarnações prévias: os efeitos que estamos sentindo hoje são simplesmente o retorno. Qualquer um que tenha tempo de estudar a questão e verificar isto por si mesmo será obrigado a reconhecer que esta é uma lei infalível.
Você quer ser amado? Tudo que tem a fazer é amar. Aquele que ama desencadeia forças no universo, e um dia, estas forças retornarão para ele. Mesmo que quisesse evitá-las, ele não poderia: todos irão amá-lo. As leis que governam a agricultura são idênticas. Na realidade, pode-se dizer que a agricultura foi baseada na lei do retorno: “Você colhe aquilo que você semeia”. E para cada grão de trigo que você semeia você colherá dez. Vêem? Quando vem de volta, é amplificado. De agora em diante, portanto, sejam muito cautelosos não apenas quanto aos seus atos, mas também seus pensamentos e sentimentos e desejos porque, embora embora sejam outros que precisem absorver o impacto deles num primeiro momento, no longo prazo são vocês que serão prejudicados.

Como Manter a Consciência Espiritual no Mundo Material

Por Huberto Rohden – trecho extraído do livro Rumo à Consciência Cósmica

O maior dos problemas da vida humana não é, propriamente, o contato consciente com o mundo espiritual, pela contemplação, de que falamos. O problema dos problemas está em como manter acesa a consciência espiritual no meio das materialidades do mundo cotidiano.

A meditação não é um fim, mas é um meio.

Por via de regra, depois de estabelecer o contato consciente com o Eu divino, deve o homem regressar ao plano dos seus afazeres profissionais, trabalhando em qualquer setor honesto da vida humana – a não ser que outra seja a sua missão peculiar.

Esse regresso, porém, é meramente externo, funcional; internamente, experiencialmente, continua o homem a viver no “reino dos céus”, na sua consciência crística “eu e o Pai somos um”.

Mahatma Gandhi, quando convidado para se isolar numa caverna para manter sua espiritualidade respondeu que ele trazia dentro de si essa caverna sagrada. Todo homem deve ter, dentro de si, o seu céu portátil, mesmo em pleno inferno do mundo profano. Sua alma deve ser uma Vestal a alimentar o fogo sagrado no altar da Divindade.

Para que o regresso externo ao mundo das coisas profanas possa ser realizado sem detrimento da sacralidade interior, requer-se que o homem esteja firmemente consolidado na experiência do seu centro divino.

Essa consolidação e solidez consiste na compreensão experiencial da verdade última sobre si mesmo, a consciência inabalável de que a última e mais profunda Realidade do homem é Deus, o Infinito, o Eterno.

[…]

Enquanto o homem conhece apenas a lei escravizante do seu ego, não pode viver livre no meio dos escravos, puro no meio dos impuros, e fará bem em tentar viver puro longe dos impuros, livre longe dos escravos, sacro longe dos profanos. Mas, se algum dia descobrir a verdade libertadora sobre si mesmo; se descobrir o seu Eu divino, ultrapassará todas as leis da escravidão e ingressará na zona da verdade libertadora. E assim, plenamente liberto, poderá viver no meio dos escravos sem perder a sua liberdade. Levará consigo o seu nirvana espiritual ao meio de todos os sansaras materiais. Se o pode ou não pode, isto depende unicamente do nível da sua consciência, do grau de intensidade com que ele experimentou a verdade libertadora sobre si mesmo.

A linguagem de cada dia revela o estado de consciência do grosso da humanidade. Quando o homem diz “eu estou doente”, ou “eu sou inteligente”, ou ainda “eu fui ofendido”, identifica-se com algo que não é ele, mas que apenas tem, identifica-se com o seu ego, esquecido do seu Eu, que não pode estar doente, que não é apenas inteligente, que não pode ser ofendido.

Há milhões de anos que a humanidade vive nessa ilusão de se identificar com o seu ego periférico. E cada homem individual vive durante alguns decênios nessa mesma ilusão.

Por isto, é difícil ao homem quebrar os grilhões tradicionais, habituar-se à verdade libertadora do que ele é, realmente, o seu Eu, a sua alma, o espirito de Deus que nele habita.

É necessário que o homem se liberte dessa hipnose coletiva, que Jesus chama “o dominador deste mundo, que é o poder das trevas, e que tem poder sobre vós”.

Para conseguir a conquista desse “tesouro oculto” e realizar a “única coisa necessária” é indispensável que o homem pratique, frequentemente, o exercício de “dissociação” do seu ego, a fim de poder ouvir a voz do Eu, que só se manifesta em profundo silêncio.

O ego vive no ruído.
O Eu habita no silêncio.

É necessário que o homem reserve, para esse silêncio auscultativo, uma parcela das 24 horas de cada dia. O mundo chamado civilizado costuma assinar ao homem 8 horas para o trabalho, 8 para o sono e 8 para o descanso e os divertimentos. É evidente que com semelhante programa, marcaremos passo a vida inteira e não sairemos, jamais, do círculo vicioso tradicional.

Meia hora de manhã cedo e, possivelmente, meia hora à noite, é o tempo necessário para que o principiante adquira um início de experiência espiritual. O melhor período da manhã é entre 4 e 6 horas. É indispensável, ao principiante, que faça esse exercício de interiorização num lugar onde não seja perturbado. Os ruídos da natureza – do mar, dos ventos, dos passarinhos etc. – não perturbam o silencio; mas qualquer voz humana causa interferências disturbantes.

É favorável preludiar a meditação com uma música suave e concentrativa.

Quando o meditante entra na zona de contemplação, todas as músicas humanas são dispensáveis; basta-lhe a música cósmica do Universo.

[…]

Somente quem atingiu o zênite da contemplação espiritual, e se habituou a viver nela como em seu ambiente natural, é que pode, sem perigo, regressar ao mundo das escravidões sem sucumbir à escravidão antiga. Uma vez que conheceu vitalmente a verdade sobre si mesmo, está a tal ponto liberto de todas as inverdades do ego que pode viver puro no meio dos impuros, livre no meio dos escravos, porque a consciência de ele ser a “luz do mundo” lhe conferiu definitiva imunidade. A luz é a única realidade incontaminável; pode penetrar todas as impurezas sem se tornar impura.

É esta a meta suprema da meditação e da contemplação.