Há algo mais: um amor, uma luz – parte LVII

Por Wagner Borges – médium, pesquisador e palestrante espiritualista.

Depoimento de um espírito lúcido e contente

A morte é uma quimera!

E agora, no mundo extrafísico, eu vejo isso claramente. No entanto, quando estava “entalado” no corpo físico, tinha verdadeira paúra só de pensar que um dia eu não existiria mais. Tal possibilidade me deixava tremendo de pavor.

Quando alguém tocava nesse assunto, eu logo me aborrecia com a pessoa. E, confesso, eu detestava os espiritualistas por isso – por eles falarem de vida após a morte e acreditarem num monte de coisas do além…

E, verdade seja dita: eu os invejava secretamente, por eles terem a coragem de estudar tais temas etéreos e enfrentarem os seus medos – coisa inimaginável para o meu raciocínio de então.

O tempo passou e a minha paúra foi só aumentando… E, como acontece com todos que descem a Terra, a morte chegou junto e bateu ponto na minha vida transitória. E não foi do jeito que eu imaginava, graças a Deus!

Fiquei doente por alguns dias… E, numa noite, durante o sono, o meu coração parou. Eu havia tomado um remédio e deitara para dormir, de forma natural. Estava apreensivo pelo fato de estar doente, mas não me dei conta de que a coisa era bem séria.

E, aí, aconteceu a coisa que eu mais temia: fechei os olhos no escuro do quarto e mergulhei no sono. E quando despertei, já estava no mundo astral. Não vi e nem senti nada. Dormi na Terra e acordei no outro mundo – e foi tudo bem.

Por incrível que pareça, logo percebi o que tinha acontecido. E, para minha surpresa, eu estava bem e tranquilo, como se parte de mim já soubesse que tudo seria assim mesmo.

Então, rapidamente me entrosei com todos que ali estavam, desencarnados recentes também. Rimos juntos do medo que tínhamos na Terra. A morte – o nosso bicho papão de outrora -, não era a coisa feia que pintávamos. E, ali, juntos, comemoramos o fato de estarmos vivos além da matéria.

Depois, os amigos espirituais que nos atendiam explicaram tudo. E aí foi até fácil lembrar-me de outras vidas – e também de outras mortes – todas ilusórias, naturalmente.

Eu, que tanto tinha medo, hoje afirmo alegremente: a morte é uma quimera! E peço desculpas aos espiritualistas, pois o idiota era apenas eu (sim, o medo me fazia ser ridículo).

Graças a Deus, deu tudo certo no final (e o bicho papão já era!)

E, agora, é só continuar a viver… Sempre!

Estou “desentalado” da carne e muito contente. E espero que o meu depoimento ajude a extirpar o medo de outros.

Bicho papão? Que nada!
Quimera, só quimera…
A vida continua (ainda bem!)
E por aqui me despeço.
Eu sou o Molina, ao seu dispor**.

– Molina –

(Recebido espiritualmente por Wagner Borges – Vitória, 09 de maio de 2013.)

– Nota de Wagner Borges:

Esse espírito me contou detalhes de sua vida pessoal e me deu o seu nome completo, para que eu verificasse posteriormente as suas informações. Segundo ele, isso chancelaria sua presença e confirmaria a veracidade do seu depoimento.

E, depois, realmente eu confirmei o que ele me disse sobre o seu caso. Naturalmente que aqui eu não estou colocando seus dados pessoais, até mesmo para evitar especulações ou reações negativas de seus entes queridos aqui da Terra (o importante é o conteúdo do depoimento dele).

E quando ele diz que a morte é uma quimera, é isso mesmo!

Porque há algo mais: Um Amor. Uma Luz.

Paz e Luz.

– Notas do Texto:

* Esse texto fará parte de um novo livro sobre vida após a morte que publicarei daqui a alguns meses (com diversos textos alusivos à temática da imortalidade da consciência).

** Enquanto eu digitava essas linhas, lembrei-me de um texto antigo, do grupo da Companhia do Amor, onde outro espírito também deu um depoimento muito interessante. Então reproduzo o mesmo na sequência.

Morte de túnel de luz

Risada espiritual

Em minha trajetória pela vida, tenho visto muitas dores e muito sofrimento. Meu coração sente a dor dos semelhantes e se angustia por eles. Dolorido, clamo aos céus que me dêem uma explicação plausível do porquê de tanto drama na Terra.

Sangrado pelo meu sofrimento e pelo dos outros, mergulho em depressão. Sinto a dor do mundo lancetar meu peito como um agrilhão invisível…

Porém, repentinamente, sou invadido por uma intuição, vinda de não sei onde, que me diz que as coisas nem sempre são o que aparentam ser e que, por trás das ilusões humanas, existe uma espécie de “limpador de pára-brisa espiritual”, pronto para limpar os respingos de sujeira que salpicam a alma humana.

Há, nessa voz intuitiva, um quê de sorriso matreiro que me faz lembrar de um certo amigo que já partiu dessas bandas terrestres há muito tempo. E, ao pensar nisso, escuto claramente uma risada gostosa do meu lado.

Por incrível que pareça, não fico assustado por alguém invisível rir ao meu lado. Pelo contrário, sou contagiado por este riso gostoso que me invade a alma.

E, de repente, sinto-me inundado por uma torrente de imagens e idéias. Vejo passar perante meu olhar interior uma série de situações humanas… Vejo gente nascendo e morrendo. Mas vejo, também, gente morrendo e vivendo além da morte, em algum lugar que não sei precisar onde é, mas sei que é por aí, em alguma desses tantos planos de vida que Deus criou.

Meu olhar interior vai se ampliando e eu começo a perceber que o sofrimento e a dor são transitórios. Sinto que além, muito além do meu entendimento, está operando um Poder Cósmico que sabe tudo a respeito de todos e que, por isso, sabe o que é melhor para o crescimento evolutivo de cada um.

E, mais ainda, sinto claramente, em algum compartimento oculto do meu Ser, que uma parte de mim (seria um “eu interior”?) compreende isso tudo, de uma maneira que não sei explicar. Nisso, vai brotando em mim uma alegria irresistível e sinto firmemente que há vida em todas as coisas; que o Amor supera tudo; que o sofrimento é efêmero e todos somos eternos. E sou tomado então, por uma risada gostosíssima, como a risada daquele sujeito invisível que continua rindo aqui do lado.

Sigo rindo, rindo, rindo… Porque sei agora, que a morte é uma piada, mortal, sem dúvida, mas é piada, sim! Afinal, ela não mata ninguém mesmo, só desveste o espírito de seu “casulo de carne” – ou, melhor diria, de seu “presunto”.

Súbito, no meio dessa alegria e compreensão espiritual pela qual estou possuído nesse momento, percebo claramente quem é o dono da risada invisível aqui ao meu lado. É o João Grandão, o amigo mais sacana que já tive e que partiu para o além alguns anos atrás, num estúpido acidente de carro.

Como é que eu não reconheci essa risada? E a sua presença espiritual me comprova aquela certeza intuitiva de que estou imbuído no momento: a morte não muda ninguém! Isso é líquido e certo, pois não mudou nem mesmo a risada do João.

E pensar que eu chorei tanto em seu enterro e o sacana já estava rindo do outro lado da vida, talvez até aprontando alguma de suas brincadeiras com algum desencarnado por aí!

Enterrei o corpo do João, mas não a sua alegria. Doravante, quando meu coração sangrar novamente pelo sofrimento da humanidade, eu me lembrarei da risada do João e tentarei olhar o drama humano com outros olhos. A sua risada gostosa será a minha inspiração de agora em diante…

Talvez com uma risada franca, estampada na cara, eu consiga dissolver as angústias de muita gente. Ou, se isso não der certo, quem sabe a leitura desses escritos não consiga fazer as pessoas soltarem o maxilar em uma gostosa “risada-terapêutica-espiritual-evolutiva”?

Inclusive, essa risada se perpetuará por aí, pois também estou deixando aqui na Terra a carcaça velha de guerra e me juntarei ao João no mundo espiritual.

E, então, sairemos os dois rindo, por aí…

– Companhia do Amor* –

(A Turma dos Poetas em Flor).

(Recebido espiritualmente por Wagner Borges – Texto extraído do livro “Companhia do Amor – A Turma dos Poetas em Flor – Vol. 1” – Edição do Autor – 2003.)

– Nota:

* A Companhia do Amor é um grupo de cronistas, poetas e escritores brasileiros desencarnados que me passam textos e mensagens espirituais há vários anos. Em sua grande maioria, são poetas e muito bem humorados. Segundo eles, os seus escritos são para mostrar que os espíritos não são nuvenzinhas ou luzinhas piscando em um plano espiritual inefável. Eles querem mostrar que continuam sendo pessoas comuns, apenas vivendo em outros planos, sem carregar o corpo denso. Querem que as pessoas encarnadas saibam que não existe apenas vida após a morte, mas, também, muita alegria e amor. Os seus textos são simples e diretos, buscando o coração do leitor.

Para mais detalhes sobre o trabalho dessa turma maravilhosa, ver os livros “Companhia do Amor – A Turma dos Poetas em Flor – Volumes 1 e 2” – Edição independente – Wagner Borges -, e sua coluna no site do IPPB (que é uma das seções mais visitadas no site).