Uma estrelinha chamada Mariana

“Meu nome é Mariana. Sou uma estrela que vive no céu. Todas as noites eu apareço juntinho da Dona Lua e das minhas irmãs. Lá de cima, vejo o mar, as praias, as montanhas… Mas o que eu gosto mesmo é de observar os namorados! Vejo os animais dormindo, os homens na varanda contando ‘causos’… Muitas vezes penso, gostaria muito de morar na Terra!”

Retirado de revista da Turma da Mônica. Produzido por Rodrigo Alves Davanso. Música “It will be me“, de Melissa Etheridge.

Serviço espiritual

Por Amber Agha – curadora reikiana e xamânica. Adaptado e traduzido por Melhor Consciência.

Estar a serviço espiritual é uma trilha muito particular – uma jornada pessoal.

Minha prece diária é pedir que me seja mostrada a forma como melhor posso estar a serviço. Todos os dias me pergunto se estou verdadeiramente fazendo tudo o que vim aqui para fazer, e sendo tudo que vim para ser. Estou de fato realizando meu compromisso com o Espírito?

Não cabe a mim dizer a ninguém o que fazer. Há diversas formas de se estar a serviço: pela via do humor, pela arte, pela escrita, pela dança, pela profissão, pelo lugar na família. São muitas as trilhas que conduzem ao Espírito. A chave é realizar ativamente o seu trabalho.

O que devemos lembrar é que estas são trilhas – e não “O” caminho. O único caminho é interior. O único caminho reside em nossa comunhão com o Espírito. Tudo que uma outra pessoa pode nos mostrar é, talvez, como refinar esta comunhão. Impor nossa maneira de ajudar ao outro é renegar a própria natureza de estar a serviço. Começa a se tornar uma outra religião – e por isso, uma forma de controle. Devemos sempre lembrar que temos acesso apenas a pequenos pedacinhos do espelho da verdade. Acreditar que possuímos a verdade completa é cair em ilusão e ego.

Nossas feridas são nossas, e o que quer que as tenha curado é nosso remédio, mas pode não funcionar para outra pessoa. Podemos oferecer nosso remédio também ao mundo, mas nem todos precisarão dele. Alguns podem ter reação alérgica a ele, e outros remédios podem funcionar melhor para pessoas diferentes.

Na sua forma mais simples, é algo honroso querer ajudar o outro e aliviar sua dor. Mas devemos cuidar para não confundir o estar a serviço com o querer o reconhecimento para si, buscar algo para si. Que não tenhamos, então, nenhum tipo de apego ao trabalho que realizamos.

Estar a serviço do outro requer que façamos aquilo que faz nosso coração cantar, aquilo que nos dá a mais pura conexão com o Espírito – e que façamo-lo com toda energia e foco. Se ao longo do caminho outros se identificarem com nossa trilha, ótimo. Podemos, no entanto, continuar fazendo nosso algo especial e nunca realmente receber o reconhecimento que esperamos.

Devemos nos lembrar que poucos dos Grandes Mestres foram chamados de “grandes” nos seus dias. Frequentemente eram excomungados – uma pequena voz que alguns ouviam, mas a maioria ignorava. Uma vez passados para o outro plano, as pessoas acordaram para suas palavras. E o que fez deles Mestres foi a beleza de seu trabalho – não a atenção ou o elogio, mas sim o trabalho pelo trabalho.

Há uma escritora que diz que não estamos todos aqui para sermos guerreiros no campo de batalha. Alguns de nós estão aqui para ficar na cozinha, descascando batatas, de modo que os guerreiros partam para as batalhas bem alimentados. Gosto desta analogia: todos temos um papel a desempenhar, e tudo é igualmente válido.

Faça um teste e diga ao guerreiro que ele deve sair agora e passar o dia todo lutando de estômago vazio, porque aquele que normalmente prepara as suas refeições decidiu que também quer estar no campo de batalha. E veja também como este mesmo cozinheiro vacila ao tentar desempenhar o papel do guerreiro, porque não passou pelos anos de treinamento necessários para estar fisicamente apto, e sim para cozinhar maravilhosas refeições. Suas habilidades residem não em guerrear, mas em cozinhar.

Colocar-se a serviço adquire uma forma única em cada jornada. Não é uma competição. Não há vencedores nem líderes: estamos todos juntos. Enquanto não enxergarmos isto , e até que paremos de rivalizar com nosso vizinho, ou de nos sentirmos melhores que ele – porque fomos àquele workshop e agora temos “paz interior”, porque encontramos nossa “alma gêmea” ou porque “ascendemos” – bem, até lá estaremos iludidos, e o mais longe possível da verdade do que seja estar a serviço.

O serviço é um caminho individual, e é o Espírito que nos guia. Precisamos aprender a escutar e seguir o que o Espírito nos pede. Frequentemente, quando estamos de fato no caminho do serviço autêntico, somos requisitados a fazer coisas que nos amedrontam, e que muito provavelmente não envolverão elogios. Seremos chamados para um aprofundamento interior em direção ao Espírito. Enquanto atravessamos nossos próprios medos e obstáculos pessoais, mergulhamos cada vez mais fundo em nosso self divino e em nosso poder. Dito de forma simples, isto é tudo que nos é solicitado fazer.

Estamos aqui para sermos Amor na sua forma mais autêntica. Nada nem ninguém precisa de nossa “salvação”, no sentido do proselitismo, pois isto implicaria que nós mesmos estaríamos a salvo, e que seríamos de alguma forma mais respeitáveis por isso. Foi este tipo de postura que espalhou tantas guerras ao longo dos tempos.

Os outros precisam é do nosso Amor. De Amor em ação. De Amor que faz. De Amor que remove montanhas para garantir que todos estejam em um espaço de Amor, que todos sejam vistos como parte do Todo. Pois se um sangra, todos sangramos. Se um chora, todos choramos. Não há separação entre homem e Espírito, assim como não há separação entre homem e homem.

Por do sol

Oração de São Francisco de Assis

A Oração de São Francisco é uma oração católica-Cristã de origem anônima que costuma ser atribuída ao santo do século XIII São Francisco de Assis. Na sua presente forma, a oração foi identificada pela primeira vez em 1912 na França, num pequeno boletim espiritual chamado La Clochette (O Pequeno Sino), com autoria desconhecida.

Trata-se de um belo texto que evoca o livre fluir da paz divina através das consciências individuais. Abaixo seguem a oração, um vídeo com linda versão cantada por Singh Kaur, e sua letra em inglês.

Oração de São Francisco de Assis

Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz
Onde houver ódio, que eu leve o amor
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão
Onde houver discórdia, que eu leve a união
Onde houver dúvida, que eu leve a fé
Onde houver erro, que eu leve a verdade
Onde houver desespero, que eu leve a esperança
Onde houver trevas, que eu leve a luz
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria
Ó Mestre Divino,
Concedei que eu não busque tanto
Ser consolado, quanto consolar
Ser compreendido, quanto compreender
Ser amado, quanto amar
Pois é dando que se recebe
É perdoando que se é perdoado,
E é morrendo que se nasce para a vida eterna.

Prayer of Saint Francis:

(Singh Kaur)

Lord, make me an instrument of thy peace
Where there is hatred, let me sow love
Where there is injury, pardon
Where there is doubt, faith
Where there is despair, hope
Where there is darkness, light
And where there is sadness, joy
O Divine Master,
Grant that I may not so much seek
To be consoled, as to console
To be understood, as to understand
To be loved, as to love
For it is in giving that we receive
It is in pardoning that we are pardoned
And it is in dying that we are born into eternal life.