Turbulências: catalisadoras de mudança

Texto baseado em notas de palestra proferida por Sonal Shah, num centro de meditação Brahma Kumaris em 25/9/2012

Na travessia da existência, todos nos deparamos com momentos e situações de turbulência, em que o chão parece ruir e em que nos sentimos sem forças para seguir caminhando.

Uma primeira diferenciação que devemos fazer nestes momentos de turbulência é aquela entre realidades externas e realidades internas. As perturbações que você sente estão fora ou dentro de você?

Independentemente do que ocorre fora de nós, sempre é mais importante a maneira como reagimos às circunstâncias em que nos encontramos. Assim, podemos nos ver em meio a uma situação de calamidade natural, familiar ou emocional; mas se estivermos centrados e conectados com nosso ser real, estas calamidades não serão capazes de roubar nosso equilíbrio e não conseguirão exercer controle sobre nós.

Quando nos encontramos num período ou situação turbulenta, uma das primeiras providências que pensamos em tomar é mudar nossas circunstâncias externas. Assim, mudamos de casa, cidade, emprego, parceiro, buscamos novas atividades em nossa rotina. As mudanças externas podem servir como medidas temporárias de reequilíbrio interno, mas caso não mergulhemos mais fundo, e não analisemos a real fonte de nossa perturbação, que é sempre no cerne do ser, em pouco tempo nos veremos capturados pelos mesmos tipos de turbulência. Novamente seremos tomados pelos pensamentos e emoções daninhas, que mais uma vez nos controlarão e nos tornarão pesarosos. Isto porque não há mudança externa que substitua o que deve ser realmente mudado: nós mesmos.

Frente às grandes tempestades da vida, é necessário reverter a equação: ao invés de mudar o mundo, mudar a si mesmo. Se não podemos mudar certas situações difíceis, podemos mudar a nós mesmos, para que consigamos atravessar estas situações mais fortalecidos. O ser sempre é mais importante que as circunstâncias, e tem o poder de se mover para além delas.

A consciência, ou o ser real, é mais do que o corpo, as emoções ou a mente. É um centro equilibrado de paz, que comanda seus veículos de manifestação densos e sutis. É a fonte plena da vida e da auto percepção serena.

Um dos grandes perigos nas situações turbulentas é quando começamos a nos identificar com nossos pensamentos. Os pensamentos nos falam a todo momento, gritam, exigem, questionam, movem-se o tempo todo, não descansam, não têm paz. Há um dizer do Yoga que compara a mente humana a um macaco bêbado mordido por um escorpião. Assim é a nossa mente: quando identificamos nosso ser com ela, não temos paz, apenas turbulência e inquietação. Os pensamentos tomam o controle sobre nosso eu e, em situações difíceis, a reação típica é a de sentirmo-nos vítimas dos outros, das circunstâncias ou do destino. Começamos a distribuir culpas, acumular mágoas, e sentir pena de nós mesmos. O coração se torna pesado, as emoções se acinzentam e a vida, ao invés de fluir com a leveza que lhe é inerente, parece se arrastar. Sentimo-nos insatisfeitos, incompletos e infelizes.

Quando nos deixamos capturar pelas turbulências externas ou internas, fechamo-nos ao novo e criamos bloqueios que impedem a vida de fluir. Quando enxergamos a vida e os outros como inimigos, estamos deixando de aceitar a bondade que a vida diariamente nos traz.

O primeiro e mais fundamental passo para a mudança interna é a total honestidade consigo mesmo. E o passo seguinte é a compreensão e a aceitação da realidade encontrada. A honestidade para consigo e a aceitação das verdades de si trazem um grande senso de liberdade para o ser, como se um peso lhe estivesse sendo tirado da alma. E conseguimos novamente fazer as pazes com nossa presente condição.

A mente costuma nos contar estórias baseadas em condicionamentos e eventos passados, prendendo-nos a padrões negativos de raiva, tristeza e confusão. Precisamos nos perguntar: o que há em mim que sempre me prende a estas situações? Frequentemente nossas prisões mentais e emocionais tiveram origem em eventos passados, sobre os quais acumulamos camadas e camadas de reações conscientes e inconscientes, e que precisam ser removidas até que se chegue à origem de nossa dor.

Se algo lhe feriu no passado, e lhe prende em emoções daninhas até hoje, é necessário perdoar e esquecer, como se estivesse morrendo para o passado e renascendo para novas perspectivas. Quebrar com padrões negativos trazidos do passado não é fácil, mas basta que nos disponhamos a olhar para eles sob um novo prisma. E enquanto não conseguimos transformar estas memórias, vale ao menos procurar desapegar-se delas, desligando-se das mesmas e parando de alimentá-las.

O mergulho para dentro de si pode ser realizado de forma segura com práticas meditativas, espiritualistas e terapêuticas que se pautem em verdades luminosas e valores elevados, como o amor, a conexão, a fraternidade e o perdão. Transformar-se é um ato de coragem que requer muita fé em si mesmo, na vida e em um poder maior. Em meio à escuridão, estes valores maiores são luzes que nos guiam e que dão sustentação ao ser.

A reconexão com nosso interior é uma necessidade de primeira ordem para o resgate de nossa paz original. Quando nos identificamos com as coisas e com os outros externos, esquecendo-nos de nós em meio a tudo e todos com quem nos relacionamos, nossa paz interior é roubada. Um bom trabalho sobre si permite que façamos as pazes com o nosso presente e que nos movamos para as relações com o mundo de forma positiva, frutífera e saudável.

Tudo no universo é conectado por uma energia que vibra e reverbera. Se eu não for capaz de melhorar a mim mesmo, torno-me um peso para os outros. Já se meu ser estiver preenchido e equilibrado, estarei servindo não só a mim mesmo, mas também aos outros – pelos contatos presenciais e também pelas vibrações sutis positivas que, quando estamos bem conosco, emanamos, e que viajam até onde sequer podemos imaginar.

Barco, natureza, paz

Você se preocupa demais? É possível relaxar

Dados do Instituto Americano de Terapia Cognitiva revelam que 38% das pessoas se preocupam todos os dias. Só nos Estados Unidos mais de 19 milhões são preocupados crônicos. A preocupação é uma visualização negativa. É um foco no medo, que leva à tensão, ansiedade, raiva e fadiga.

Abaixo, o Sr Preocupação (Mr Worry):


Para melhor vizualização das legendas sugerimos assistir ao vídeo em tela cheia.

Algumas dicas para ajudá-lo a parar de se preocupar:

Espere o melhor

Uma atitude positiva faz maravilhas e nos impede de cair no poço escuro da preocupação e obsessão. Mantenha-se focado no que está dando certo em sua vida.

Prepare-se para o pior

Dale Carnegie oferece alguns conselhos clássicos sobre como parar de se preocupar e começar a viver. Em primeiro lugar, identifique o cenário de pior caso. Aceite-o. Em seguida, comece a melhorar para lidar com esse cenário. Ao mesmo tempo, pergunte a si mesmo: “O quão provável de acontecer é este cenário de pior caso?”

Anote as suas preocupações

Registrar as preocupações por escrito pode ajudar a canalizar a energia tensa, e ajudar a identificar o verdadeiro motivo da sua ansiedade. Com isso você pode trabalhar para resolver esses problemas de forma racional e objetiva.

Não vale a pena

Reconheça que simplesmente não vale o seu tempo e a sua energia a obsessão com as pequenas coisas da vida, nem com as questões, eventos e pessoas sobre as quais você não tem controle.

Um dia de cada vez

É importante planejar bem, e se preparar para o futuro. Uma lista diária pode ajudá-lo a quebrar as tarefas maiores em tarefas menores e mais realistas. Depois de fazer a sua lista, coloque o foco nas coisas que estão mais perto e mais alcançáveis. Concentre-se em fazer o máximo do momento presente.

Confie em si mesmo

Cada vez que você estiver se preocupando com algum evento futuro, lembre-se de que você será capaz de lidar com o problema quando ele surgir. Tente desenvolver um senso de confiança em si mesmo para lidar com qualquer coisa que venha no seu caminho. A melhor maneira de desenvolver isso é carregar a sua “bateria de autoconfiança”. Reflita sobre todos os seus sucessos – aquelas vezes em que você instantaneamente fez bem alguma coisa. Gaste menos tempo se preocupando com o que poderia acontecer, pense no que já aconteceu e em como você lidou bem com aquilo.

Procure ajuda

Apoio é vital, mas tenha cuidado para não exagerar quando falar com seus amigos. Lembre-se de que o nível de stress que você experimenta está diretamente relacionado com a forma como você internaliza a ideia.

Mantenha-se ocupado

George Bernard Shaw disse: “O segredo para ser infeliz é ter tempo livre para se preocupar se você é feliz ou não.” Se você está obcecado com algo que você sabe que é bobagem, distraia-se. Inicie um novo projeto. Leve as crianças para tomar sorvete. Ligue para a sua mãe.

Viva a concentração

Técnicas com base em ensinamentos budistas pregam viver o momento presente e experimentar todas as emoções, mesmo as negativas. Costumamos nos concentrar (ou seja, estar no centro de nossa vida) quando estamos imersos em nossa música predileta ou numa conversa animada com os amigos. Uma forma eficaz de “permanecer” no presente é praticar a respiração profunda, deixando o corpo relaxar e a tensão dos músculos desaparecer.

De olho no passado

Examine as preocupações que o incomodaram e hoje já não fazem mais sentido. Você tem dificuldade de lembrar quais são? Provavelmente isso significa que aquelas preocupações nunca se tornaram realidade ou que você conseguiu lidar com elas e esquecê-las. Essa forma de pensar ajuda a redimensionar as inquietações atuais.

Mantenha a fé

Sua fé religiosa ou espiritual pode fazer uma grande diferença para romper o hábito de preocupação. Ela pode ajuda-lo a entregar as ansiedades a uma força maior que você mesmo.

Texto adaptado de Susie Cortright e da Revista Mente & Cérebro.

A escravidão pelas dívidas: como vencer

Por Bruno J. Gimenes

O direito à liberdade é algo que devemos conservar com todas as forças e com total atenção. Mas que liberdade tem uma pessoa com diversas dívidas, prestações, financiamentos, empréstimos, para honrar? Será mesmo que um individuo que tem uma renda elevada, mas a desperdiça completamente com contas e mais contas, é alguém próspero e saudável financeiramente?

E se você parasse de trabalhar hoje, por quanto tempo você resistiria financeiramente, com base em suas reservas, até encontrar uma outra fonte de renda?

Eu recomendo que você pare um pouco e analise essa questão de uma forma bem ampla e adulta. O mundo atual está estruturado para estimular o consumo. Estamos todos recebendo uma chuva de informações, nas mais diferentes formas de mídia, que nos fazem acreditar que sem adquirir, fazer, comprar, mudar, inovar, reformar, reciclar, não seremos felizes. Estamos inseridos num sistema de vida no qual a ambição para comprar um carro melhor, uma casa maior, um sapato mais bonito, uma “TV mais fininha”, estão presentes em proporções muito superiores em relação àquelas que poderíamos considerar equilibradas.

Somos escravos… Escravos das nossas ansiedades, escravos das nossas emoções negativas, em especial da carência e da baixa autoestima, que nos fazem consumir tanto para conquistarmos a ilusória sensação de poder e confiança. Eu sei que muitas pessoas não concordam quando escrevo textos como esse e logo saem dizendo que sem fazer contas, parcelamentos, financiamentos, não conseguem nada na vida. Continuo respeitando a opinião de todos, mas nem por isso posso deixar de expor aqui uma lei a qual precisamos dominar: a lei da economia.

Ainda acerca da escravidão pelas dívidas e o consumismo exagerado, antes de concluir o raciocínio que você possa estar fazendo sobre a sua vida, peço que avalie os aspectos que seguem:

  • Pesquisas já apontaram que aproximadamente 70% dos divórcios em casais que já estão juntos há pelo menos cinco anos, acontecem por influência de questões financeiras mal resolvidas;
  • Nos hospitais, as filas de atendimento, os leitos e as salas de cirurgia, estão repletas de pessoas mal resolvidas em suas finanças e escravas das dívidas;
  • As brigas entre sócios e amigos de trabalho são promovidas em mais de 70% em função do dinheiro;
  • A maioria dos casos de suicídio no mundo está relacionada a problemas financeiros. No Japão, recentemente um jovem tirou a própria vida por conta da frustração que sentia de não ter condições de comprar um iPad 2. Já na China, um rapaz vendeu seu próprio rim para poder adquirir o mesmo equipamento.

E mais:

  • As pessoas se prostituem por dinheiro;
  • As pessoas se corrompem por dinheiro;
  • As pessoas matam por dinheiro;
  • Os famílias ficam em desarmonia pela falta de dinheiro;
  • A falta de dinheiro traz medo, ansiedade e leva ao estresse.

Casal endividado

Definitivamente, quem não paga as contas e quem não honra os compromissos não é uma pessoa livre. E o pior, pelo grau de estímulo para consumir no qual estamos inseridos, a esmagadora maioria da população está endividada. No Brasil mesmo, recentemente, um levantamento acusou que pelo quarto ano consecutivo o brasileiro se endividou mais um pouco.

Falando de lei da atração (você atrai para a sua vida coisas, pessoas e acontecimentos em sintonia com aquilo que você pensa e sente), uma pessoa endividada naturalmente atrairá mais dívidas ou situações para as contas aumentarem. Quando falo de dívidas, não me refiro apenas a uma conta em aberto. Em especial, refiro-me à prática de comprar aquilo que nem se tem o dinheiro ainda para pagar. De forma mais específica, podemos dizer que às vezes a compra de algo foi feita sem que a pessoa tenha ainda trabalhado para ganhar o valor referente, já que ainda nem sabe se estará presente no seu trabalho nos dias sucessivos, que serão necessários para a quitação da conta.

Viver assim é construir ao redor de si um campo energético de dívidas e, como já falado, pela lei da atração, dívidas atraem mais situações de dívida. Entretanto, o contrário é verdadeiro, dinheiro também atrai mais dinheiro, por isso, se você souber reservar economias para construir o seu lastro, um campo de prosperidade será formado ao seu redor.

Na vida financeira de uma pessoa o que determina seu sucesso não é necessariamente quanto essa pessoa ganha, mas como ela administra a relação despesas X receita. O segredo é sempre foi e sempre será: gastar menos do que se possa ganhar. Isso é a lei da economia.

Ouço muita gente dizendo que não consegue economizar nem um real por mês. Entendo que de 3 a 7% da população brasileira ainda tenha muita dificuldade em economizar, todavia, se você está lendo esse texto, afirmo sem medo de ser determinista, que você não faz parte desse grupo. Então movimente-se! Comece agora a praticar a lei da economia com responsabilidade.

Você tem economias? Você tem o hábito de economizar todos os meses? Se a sua resposta for não, então acorde, desperte e conscientize-se de que você está sucumbindo à escravidão pelas dívidas, em menor ou maior grau, mas está. Mude já! Faça as mudanças necessárias, talvez nem todas nesse momento, mas alguma coisa pode ser feita imediatamente.

Nos seminários que ministramos, normalmente ouvimos o seguinte comentário: “Não vejo sentido em economizar se o que eu posso guardar é tão pouco!”. Eis um erro grave, basicamente porque economizar é um hábito e por isso é a atitude que mais conta, pelo menos no começo. Entenda que se você aprender a economizar R$ 12,00 reais por mês, você poderá desenvolver maneiras de multiplicar por muitas vezes esse valor ao longo da sua vida. Então, mãos à obra, comece a economizar, a guardar um pouco de dinheiro, nem que seja R$ 3,00 por semana (ou quem sabe R$ 3.000). Com essa simples prática, você formará um campo de prosperidade em sua vida e, sem demora, começará a encontrar novas fontes de renda. Ao longo do tempo, você será mais próspero, mais feliz e, na minha opinião, o que é mais importante: será mais livre também! Além disso, será um exemplo a ser seguido, sem contar que terá muito mais força para realizar seu projetos.

Não importa em que fase está a sua vida financeira, ou os seu negócios, seu trabalho ou renda: você pode economizar. Não importa o tamanho do problema ao qual você está submetido atualmente, você pode economizar. Esse sempre foi o caminho da redenção e do sucesso financeiro.

O mais importante: dedique tempo integral para cuidar das suas emoções de forma correta, adequada e saudável, pois se você não oferecer o cuidado que esse aspecto requer, certamente carências e baixa autoestima devorarão a sua renda, sua conta bancária e tudo mais, “sem dó e nem piedade”.

Aprenda a ser quem você é, sem a necessidade de ter ou comprar algo. Respire e seja racional nos seus hábitos de consumo, porque se não for assim, você certamente será mais um nas estatísticas de pessoas escravizadas pelas dívidas. Liberte-se e tudo mudará em sua vida!

Prosperidade financeira

Bruno Gimenes é professor e palestrante. Sua especialidade é o desenvolvimento da consciência com bases na espiritualidade e na missão de cada um. É autor de 9 livros. Criador da Fitoenergética e co-fundador do portal Luz da Serra.