Enfoques conscienciais – parte 3

O post a seguir foi escrito com base no conteúdo do curso Om Sattva, ministrado no IPPB.

Essa é a última parte da série Enfoques conscienciais. Essa série mostra a maneira como diferentes partes enxergam um mesmo tema. Se você ainda não leu, os posts anteriores estão aqui e aqui.

É interessante observar que a visão do amparador extrafísico sobre os temas vai se aproximando da visão de um estudante espiritual equilibrado. Os objetivos dos dois estão alinhados. A diferença entre ambos é o estado de manifestação, estando um desencarnado e o outro encarnado.

Planeta Terra

Planeta Terra

Um estudante espiritual Para o estudante espiritual o planeta é um lugar de aprendizado e trabalho. Ele sabe que não veio para o mundo somente para curtir férias ou passear. Reconhece que alguma coisa precisa ser aprendida e trabalhada. Sabe também que é saudável intercalar períodos de diversão entre os períodos de trabalho, mas tem perfeita noção de que, enquanto houver problemas de diversos tipos e sombras conscienciais, nele mesmo ou ao seu redor, ele tem trabalho a fazer.
Misticóide (*) Para o misticóide a Terra é um lugar de reclamações e para aprontar tolices. O misticóide tem algum conhecimento espiritual, mas quando ele fala do planeta Terra, ele o considera como uma prisão. Diz: “Pois é… estou encarnado em um planeta inferior. Daqui a pouco vai ter um arrebatamento mistico, e quem não tiver nível vai ser levado pra outro lugar”.
 
O misticóide acredita que em breve haverá separação do joio e do trigo, e ele será trigo. Dentro de sua arrogância ele é sempre o escolhido, o especial. Ele pensa: “Estou aqui no planeta Terra porque tenho Karma, mas logo meu amparador vai me tirar daqui, eu mereço algo melhor”. Com isso ele passa a negar a existência terrena, perdendo oportunidades de melhorar.
Amparador Para o amparador a Terra é uma escola suspensa no espaço sideral. Ele considera o espaço sideral como um enorme educandário, sendo o planeta uma sala de aula, e o corpo o uniforme. Cada vida é uma série na escola.

(*) para uma explicação do termo misticóide, veja a parte 2 da série.

Amor

Amor

Um estudante espiritual Amor é o melhor de tudo.
Misticóide Confunde amor com meleca emocional, ou apego. Por exemplo, às seis da manhã a pessoa cobra: “querido(a), você ainda não disse ‘eu te amo’ hoje pra mim…”
Um amparador Amor é o melhor de tudo.

Prece

Prece

Um estudante espiritual Para o espiritualista a prece é agradecimento e trabalho. A prece cria sempre uma sintonia produtiva, algo que vai gerar uma força criativa.
Misticóide Para o misticóide a prece é um petitório variado. Ele pede de tudo, menos discernimento.
Um amparador O amparador vê a prece como uma ligação psicofísica. O amparador também faz prece, pois busca níveis mais avançados de sintonia.

Ego

Ego - Narciso

Um estudante espiritual “Tô fora! Não quero saber disso”.
Misticóide “É meu!”.
Um amparador “O que é isso?” – se é amparador, não tem muita noção de ego. Por exemplo, ele joga uma intuição para a pessoa encarnada, e a pessoa não recebe e não faz nada daquilo. Se o amparador tivesse ego, ele ficaria pessoalmente chateado ou irritado. Mas o bom amparador é dotado de paciência e compreensão. Ele vai intuir um milhão de vezes se for preciso. O que ele observa é o potencial da pessoa. Ele quer verdadeiramente que a pessoa cresça, e fique melhor do que ele mesmo.
 
Quando o amparador reencarna, entra em ação uma série de influências, que do outro lado não existem: comer, sobreviver, respirar, relacionamentos na Terra; aí ele começa a viver o jogo da vida terrena. Com isso voltará a sofrer influência do ego, naturalmente. Mas se for uma consciência madura, a bagagem e aprendizado de outras existências vão aparecer em algum momento da sua vida, de forma positiva.

Assédio espiritual

Assédio espiritual

Um estudante espiritual “Paciência, vamos trabalhar”. Ele percebe que tem algo estranho rolando, e pensa “acontece, vamos trabalhar para que isso se resolva”. Ele não está negando e não está com medo, deseja apenas que tudo melhore.
Misticóide “Estou com medo, alguém me indica um lugar pra tirar esse negócio de perto de mim?”
Amparador “Paciência, vamos trabalhar”.

Karma

Karma

Um estudante espiritual Para o estudante espiritual Karma é causa e efeito, uma lei da natureza. Ele pensaria: “existe causa e efeito, eu tenho causas oriundas de outras vidas, cujo efeito pode estar vindo em breve. Não há o que fazer para alterar a causa, então vou trabalhar para ficar melhor preparado para encarar o efeito”. O espiritualista sabe que as coisas do passado repercutem na vida atual, ele sabe que os efeitos existem, mas sabe também que a maneira com que lidamos com esses efeitos é que é o mais importante.
Misticóide “Tô ferrado! Será que devo muito?”
Amparador O amparador lembraria da frase da primeira epístola de Pedro (I Pedro, 4:8):
 
“O amor cobre a multidão de pecados”.
 
O amor não mantém registro de erros, mas perdoa. O amor causa uma transformação positiva tão grande que tudo muda, até o karma. O amparador acredita que podemos resgatar, através da prática do bem, o mal praticado em outras instâncias.

Atividades espirituais – meditação, trabalho com os chakras, trabalho de assistência, etc.

Atividade espiritual

Um estudante espiritual São momentos de conexão espiritual.
Misticóide “Coisa chata de fazer”. O misticóide fica esperando o mestre chegar para lhe dizer o que fazer.
Amparador São momentos de nutrição espiritual. Nenhum amparador considera uma atividade espiritual como uma obrigação. O trabalho para o amparador é um momento de realização, de nutrição do espírito.

Estudos espirituais

Estudos espirituais

Um estudante espiritual São uma chance de evoluir e fluir consciencialmente. O espiritualista sabe que a espiritualidade não é um lugar onde ele vai, mas um estado de consciência. Ele sabe também que existe uma grande defasagem entre aquilo que estuda e o que ele é de fato. Estudar um tema espiritual não o torna mais espiritualizado, mas ele estuda para tentar crescer com aquilo. Ele pensa que em um planeta de 7 bilhões de pessoas onde a maioria não sabe o que é um chakra, poder estudar e aprofundar estes temas é uma benção, e uma chance enorme.
 
Ele também procura lembrar que conhecimento demanda responsabilidade. “A quem muito foi dado, muito será cobrado” (Lucas 12,48).
Misticóide O misticóide se apega a bobagens psicofísicas. Procura de forma acrítica o anjo, a alma gêmea, o amuleto, o mestre e o raio violeta. Ele esquece o discernimento e a consciência.
Amparador Chance de evoluir e fluir consciencialmente.

Todos os temas: o sol, a lua, o homem, a mulher, a música, o misticóide, o amparador, o espiritualista…

Universo

O todo está em tudo. Todos os temas que foram abordados, todas as partes e nomes, são apenas luzes de Brahman, crescendo, aprendendo e brilhando eternamente.

Enfoques conscienciais – parte 2

O post a seguir foi escrito com base no conteúdo do curso Om Sattva, ministrado no IPPB.

Essa é uma continuação do Enfoques conscienciais – parte 1, onde foram colocados exemplos de diferentes pontos de vista sobre alguns temas escolhidos.

Seguem novos temas.

O amparador ou mentor espiritual

Amparadora extrafísica

Um estudante espiritual “Meu amparador é um amigo extrafísico, colega de evolução interplanos”.
Um misticóide(*) O misticóide vê o amparador como uma babá espiritual, para qualquer coisa. Apertou? “Vem me ajudar, mentor!”. O misticóide possui uma dependência do ajudante extrafísico.

(*) Misticóide (conhecido também como esquisotérico) é a pessoa que exagera com temas místicos. Ela vai para a praia e leva caixinha de primeiros socorros místicos – pirâmide, amuleto, incenso de morango, sabonete pra limpar a aura… se aparece calo é problema de outra vida, se tem enxaqueca é obsessão. Para ela tudo tem uma conotação mística! O misticóide, por não ter profundidade naquilo que estuda, costuma viajar na maionese astral.

Um estudante espiritual

Estudante espiritual com amparadora

Um amparador O amparador vê o estudante espiritual como um colega de evolução interplanos. Um estudante espiritual e um amparador enxergam um ao outro da mesma forma. Uma hora um está encarnado e o outro desencarnado. Daqui a pouco trocam. Um dá cobertura para o outro. O entra-e-sai da reencarnação faz com que o amparador vire amparado e o amparado vire amparador.
 
O amparador é alguém com uma visão mais ampla, alguém que está em “zoom out”, devido ao contexto em que se encontra. Mas isso não significa que o amparador é, necessariamente, alguém extremamente evoluído. O amparador de hoje poderá ser amanhã um bebê fazendo cocô no tapete de alguém.

Como um amparador olharia para um misticóide? Possivelmente como uma pessoa com problemas; alguém com produtividade baixa. Assim como olhamos para uma criança que fantasia demais e tira zero na escola.

Qual seria a pergunta típica de um misticóide a um amparador? “Quantos anos eu vou viver?”, “Quantos filhos eu vou ter?”, “Qual a cor da minha aura?”, “Que horas o meu anjo encosta?”. Ou seja, perguntas que não resolvem nada!

O que seria uma pergunta boa para se fazer a um amparador? Um exemplo: “meu colega, você que me conhece há tanto tempo, se tivesse que resumir em uma só palavra o que eu preciso trabalhar pra me resolver nessa vida, o que você diria? Qual é o meu maior defeito? Se você me der a dica, eu vou correr atrás”. Poucos querem perguntar isso porque as pessoas já desconfiam onde estão os seus limites, suas encrencas, e sabem que será desafiador trabalhar naquilo.

Experiência fora do corpo

Experiência fora do corpo

Um estudante espiritual A projeção astral é uma ótima ferramenta parapsíquica para a ação interplanos sadia e evolutiva. É um aproveitamento das horas de sono da melhor forma que for possível.
Um misticóide Para o misticóide, projeção astral é turismo extrafísico. “Quero conhecer a torre Eiffel fora do corpo”. Ou ainda “quero me projetar para entrar na casa da vizinha”.
Um amparador O amparador sabe que projeção é oportunidade de esclarecimento e assistência espiritual. Ele pensa: “o que eu posso fazer para clarear a consciência desse que está fora do corpo, e por tabela, ainda ajudar terceiros?”

Chakras

Casal - chakras

Estudante espiritual Os chakras são janelas vibracionais, portais energéticos.
Misticóide Chakra é assunto new age. “Você viu querida, o chakra frontal é o da clarividência! Aliás o seu marido está onde? Você pode usar a clarividência para saber o que ele anda fazendo!”
Amparador Para o amparador, chakras são conversores energéticos. Cada chakra é como um botão energético: quando ele mexe no chakra de alguém, ele sabe qual a repercussão que aquilo vai causar.

Grupo espiritual (um grupo espírita, de umbanda, ocultista…)

Círculo de amigos

Estudante espiritual sadio Há gratidão e alegria em poder participar. “O grupo do qual participo é um lugar de esclarecimento e assistência espiritual”.
Misticóide Para o misticóide, o grupo espiritual é um lugar onde chorar as mágoas, pedir ajuda e fazer encontro social. Um lugar para aparecer de vez em quando.
Amparador O amparador vê um grupo espiritual como um grande conversor interplanos para esclarecimento e assistência.

Continua na parte 3.

Enfoques conscienciais – parte 1

O post a seguir foi escrito com base no conteúdo do curso Om Sattva, ministrado no IPPB.

Você já pensou que uma mesma coisa pode ser vista de diferentes maneiras? Imagine uma situação ou um conceito qualquer. Uma criança vai ter um ponto de vista sobre aquilo, um adulto outro e um idoso outro.

Podemos fazer um exercício em cima de alguns pontos da temática espiritual. Dada uma ideia, que tipo de visão teria o estudante espiritual sobre aquilo? E um amparador? E um assediador? Ao trocar o enfoque você se coloca no lugar do outro, e imagina o ângulo do outro. Com isto, o seu raciocínio é ampliado.

Abaixo estão alguns temas variados, e possíveis enfoques.

Música

Música

Um físico O que um físico diria se perguntado sobre a música? “Música são vibrações que se propagam pelo ar”. Do ponto de vista da Física, música são ondas sonoras. É uma visão técnica, sem o lado lúdico ou emocional. O físico diria que música é uma forma de energia, que é o som.
Um psicólogo Quando um psicólogo pensa em música, ele estaria prestando mais atenção na música ou nas reações psicológicas causadas pela música? Talvez o maior interesse de um psicólogo seriam as repercussões psíquicas que a música está causando na pessoa.
Um músico “A música é minha companheira inseparável. Sem música eu não vivo!”
Um estudante espiritualista (*) “A boa música é uma viagem espiritual. Porque ela me leva a outros níveis de consciência”.

(*) aqui estamos ilustrando um estudante espiritualista com perfil sadio, aquele que possui qualidades e defeitos, mas que busca conhecer os diversos temas sem fanatismo, com equilíbrio, pegando o melhor de cada fonte, e tentando acertar em suas ações, na medida do possível.

São quatro enfoques em cima do mesmo tema, Música, e todos estão corretos. Cada enfoque vai resultar em algo diferente. Um músico pode saber tudo sobre a música que compôs, sua harmonia, melodia e seus acordes, porém, pode não viajar espiritualmente ou consciencialmente ao ouvi-la, da mesma forma que um estudante espiritual faria.

Um livro sagrado: a Bíblia, o Corão ou o Bhagavad-Gita

Livro sagrado

Um fanático Para um fanático, o livro sagrado é apenas arma de doutrinação. Ele usa o livro para convencer ou converter os outros. O livro não tem um sentido maior, de amor.
Um cético ou materialista Não considera nada. Diria: “esse livro está cheio de histórias da carochinha! É tudo lenda”.
Um jovem de 15 anos dos tempos de hoje (IPod e internet) Acha um saco. “Que coisa chata de ler esse livro. Coisa de velho!”
Um estudante espiritualista de cabeça aberta Analisa com carinho o que está escrito, ponderando e tentando extrair o melhor. “São ótimos livros, se bem interpretados.”

Sol

Sol

Um astrônomo Para um astrônomo, “o sol é apenas um astro, uma estrela de quinta grandeza. Terá o seu fim em bilhões de anos”.
Um mestre taoista antigo O taoista iria observar a atividade e o dinamismo de vida na bola de fogo. “É uma manifestação do Chi em forma Yang” (o princípio ativo, diurno, luminoso, quente).
Um hindu Provavelmente diria que “sol é fonte de vida”. O hindu faria associação com a palavra Surya, a divindade solar. Ele poderia lembrar do mantra Gayatri – a evocação da luz primordial que gera sóis como o nosso sol.
Um estudante espiritualista Sol é a síntese das visões anteriores: uma estrela de quinta grandeza, manifestação Yang, a divindade solar e um mantra bacana. Há a visão de conjunto, nenhum ponto de vista é excluído.

Um dos mantras usados para evocação da força solar utiliza o nome em sânscrito Surya, a divindade solar. O mantra seria Om Suryaya Namah, que é excelente para ativação das energias, para o chakra umbilical e as mãos. Por ser um mantra de ativação energética, não é recomendado para quem deseja relaxar ou dormir.

Lua

Lua

Um astrônomo Para um astrônomo, “a lua é apenas um satélite da Terra. Um corpo celeste agregado à órbita do nosso planeta.”
Um mestre taoista antigo “A lua é manifestação do Chi em forma Yin” (o princípio passivo, noturno, escuro, frio).
Um hindu Lua em sânscrito seria soma ou chandra. Ele poderia dizer: “a lua é a reitora das emoções e do êxtase místico”.
Um estudante espiritualista A lua é uma síntese das visões anteriores.

Um mantra que pode ser usado para relaxamento ou para dormir é um que está ligado à lua: Om ChandraYe Namaha. É um mantra para refrescar, regenerar, amortecer e relaxar. É recomendado para a hora de deitar, e pode ser concentrado na testa ou no peito.

Mulher

Casal que se ama

Um homem Ao olhar uma mulher, o homem pensaria em algum tipo de relacionamento. Provavelmente com alguma visão sexual ou instintiva.
Um espírito desencarnado Quando um espírito olha uma mulher, ele pensa que a mulher tem algo que um homem não tem: um útero. Para um espírito adentrar no plano físico ele precisa passar por um útero de uma mulher, ficar lá por 9 meses, para se condensar energeticamente. Então, para o espírito desencarnado, o útero é uma câmara de materialização. Para ele a mulher é uma porta para a reencarnação. Caso seja um espírito que não deseja reencarnar, a mulher pode significar uma prisão.
Um taoísta A mulher é uma manifestação Yin.
Um hindu A mulher é a mãe divina. Um hindu diria: “você precisa olhar a sua parceira como se fosse a mãe divina manifestada.”
Um estudante espiritual Se houver profundidade na relação, além de pensar na mulher como um relacionamento, e que ela é uma porta para a reencarnação de um espírito, ele vai além: olha a mulher como uma parceira de evolução, uma dupla evolutiva. É mais do que o casamento. Ele pensaria: “estou bem sozinho, mas fico melhor ainda com você”. Em uma dupla evolutiva um apoia o outro: “somos parceiros de evolução e vamos atravessar juntos essa reencarnação, esse mar de ilusões”. Evolutivamente é bom quando ambos estão juntos, pois um reforça a evolução do outro.

Poderíamos obviamente inverter o que está sendo colocado para a mulher, e pensar em como um homem seria visto, o que daria resultado semelhante. A mulher pensaria que o homem é alguém para ter um relacionamento afetivo/sexual. Na visão chinesa o homem é energia Yang, e para o hinduísmo, o homem é o divino manifestado. O homem pode ser visto também como uma dupla evolutiva, um parceiro de evolução, em um casal onde há lucidez e afinidade evolutiva.

Continua na parte 2.